Berlim - Convidado a participar da cerimônia de premiação e encerramento do 58º Festival de Berlim, o diretor José Padilha, de ''Tropa de Elite'', sabia, a partir daí, que seria um dos vencedores da noite. A questão era qual prêmio lhe seria atribuído. Eles começaram a ser entregues. Favoritismos foram derrubados. Sobrou só o Urso de Ouro de melhor filme. E o Brasil chegou ao topo, mais uma vez, na Berlinale.
Dez anos depois de Central do Brasil, de Walter Salles, ''Tropa de Elite'', outro filme brasileiro, recebido a pedradas pela crítica da revista ''Variety'', que o chamou de fascista e comparou o personagem capitão Nascimento a Rambo, chegou lá. Padilha subiu ao palco em companhia do produtor Marcos Prado. Fez um agradecimento especial ao presidente do júri. Disse que Costa-Gavras, por seu cinema político, era um herói e uma referência para todos os cineastas da América Latina. E que receber o prêmio de um júri por ele presidido atribuía um significado especial ao que já era uma honra. ''Obrigado, thank you, danke. Em qualquer língua, é muito difícil traduzir a emoção que estamos sentindo'', disse Padilha.
Prado foi incisivo. ''Posso dizer que Padilha fez o melhor filme do mundo, um filme que denuncia a corrupção e a violência da polícia e da sociedade brasileiras. Este prêmio é uma realidade. Vai nos permitir lutar contra esta realidade.''
''Mutum'', de Sandra Koguti, baseado em livro de Guimarães Rosa, levou menção especial na mostra paralela para crianças. ''Café com Leite'', de Daniel Ribeiro, que conta história de casal homossexual que cuida de uma criança, foi o melhor curta jovem. ''Tá'', curta do carioca Felipe Sholl, levou o Prêmio Teddy, para filmes de temática homossexual.
O júri deu o prêmio de direção e o troféu à melhor contribuição artística para ''Sangue Negro'', de Paul Thomas Anderson. E ousou, premiando como melhor ator o iraniano Reza Najie, por ''A Song of Sparrows'', de Majid Majidi.

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