A estréia do filme ''Tropa de Elite'', de José Padilha, prevista para 12 de outubro, foi adiantada para esta sexta-feira nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro, ocupando 140 salas, anunciou ontem a distribuidora Paramount. É a segunda antecipação no cronograma de lançamento comercial do longa, que foi alvo de pirataria.
Cópias ilegais em DVD de uma versão preliminar do filme, que retrata o cotidiano do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) da PM do Rio, estão sendo vendidas por camelôs em diversas capitais desde agosto.
A estréia de ''Tropa de Elite'' estava originalmente prevista para novembro. ''Fizemos um árduo trabalho para conseguir a nova antecipação'', disse o diretor da Paramount, César Silva, após citar estimativa de que 1 milhão de cópias tenham sido vendidas no mercado pirata.
O produtor do filme, Marcos Prado, prevê que ele alcance no mínimo 5 milhões de espectadores nos cinemas. Neste ano, a melhor performance de um título nacional até agora é de ''A Grande Família'', com 2 milhões de espectadores. O recorde de público nacional recente pertence a ''2 Filhos de Francisco'' (2005), com 5,4 milhões.
Prado afirmou que a decisão de antecipar a estréia no Rio e em São Paulo deve-se ao fato de que ''o filme poderia perder o fôlego, já que está diariamente na mídia há dois meses e isso (a repercussão) vai acabando''. Em entrevista coletiva promovida ontem pelo Festival do Rio - onde ''Tropa de Elite'' teve sua primeira sessão pública, no último dia 20 - Padilha disse ser favorável ''à descriminalização das drogas e à liberação da maconha''; classificou como ''erro primário confundir o ponto de vista dos personagens (de um filme) com o de seus autores'' e rechaçou as críticas que apontam o filme como favorável à prática de tortura.
''É preciso esforço para interpretar o filme tão errado assim'', disse. ''Tentar mostrar um ponto de vista (o da polícia na guerra do tráfico) não é o mesmo que justificá-lo.''
O ator Wagner Moura, que interpreta o capitão Nascimento, do Bope, também rejeitou críticas por esse viés. ''Não vemos o capitão Nascimento como herói. Se as pessoas se identificam com esse olhar (da polícia) e o elegem como solução, não é responsabilidade nossa''.

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