CINEMA - Triângulo amoroso sem conexão com o mundo 'real'
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 06 de junho de 2007
Catarina Scortecci<br>Equipe da Folha 
O filme brasileiro ''Proibido Proibir'' (100 minutos), em cartaz nos cinemas de Curitiba, seria um erro menor se tivesse optado por falar só de um triângulo amoroso protagonizado por três estudantes universitários cheios de opiniões sobre a realidade brasileira. Leon (Alexandre Rodrigues) é namorado de Letícia (Maria Flor), que começa a gostar de Paulo (Caio Blat), que também se interessa por Letícia, mas é fiel ao melhor amigo, Leon. Daí o fio do roteiro permaneceria o mesmo: três estudantes que tentam ajudar o filho da paciente terminal Rosalina (a atriz Edir Duqui), único personagem interessante do filme. E ponto. O único problema ao pequeno drama seria resolver a visível falta de química entre Maria Flor e Alexandre Rodrigues.
A direção, porém, tinha outras pretensões. Além de falar sobre o triângulo amoroso e de Rosalina, optou por tratar de política e pobreza, de violência policial, de preconceito, de cidadania. As questões levantadas, claro, não deixam de estar interligadas, e o filme até tenta provocar uma conexão, mas elas não casam - em nenhum nível - com a vida dos três universitários. Tanto que a partir de um ponto, quando a realidade brasileira deixa de ser vivida ''na teoria'' pelos estudantes, eles nem parecem mais pertencer ao filme. Daqui a pouco, os três estão em situações extremas, com direito a tiro e perseguição, enfrentando problemas que até então só eram experiências de outros. E tudo se torna extremamente inverossímil.
Lá no final, a gente observa três universitários desesperados, em fuga, ''à margem da sociedade''. Mas o telespectador não consegue esquecer que, antes, os três estavam até bem assistidos, ''protegidos'', mesmo que inseridos num Rio de Janeiro difícil. A arquitetura ''física'' e a ''natural'' da cidade, aliás, se mesclam de forma única no filme, não há como negar. É que a cruel realidade brasileira existe, e talvez Leon, Letícia e Paulo também. Mas as duas coisas juntas não colam, nem na ficção. Se, separadamente, ambas sobrevivem, o filme do chileno Jorge Durán pode ter lá algum mérito, mas não é bom.


