A cópia nova de ''Terra em Transe'', de Glauber Rocha, deve reestrear no circuito comercial em 2005 e também será lançado em DVD. ''Um DVD cheio de extras'', promete Paloma Rocha, filha do diretor baiano e co-produtora da restauração, junto com Tarcísio Vidigal. Entre esses extras, cenas não aproveitadas na montagem final e farto material de análise crítica.
Aliás, toda uma história do pensamento cinematográfico poderia ser escrita a partir das reações a ''Terra em Transe''. O relançamento promete ser um acontecimento cultural interessante. E por mais de um motivo. Primeiro, porque os espectadores do filme poderão conferir que muitos dos problemas tratados por Glauber permanecem intocados. Estão lá, na tela, o populismo político, a liderança messiânica, o intelectual dividido entre a ação, a poesia e a reflexão, o líder que vem do povo e depois o trai. E, em frente a todos, esse enigma permanente da intelectualidade brasileira: o povo.
Inútil dizer, o filme nasce da perplexidade de Glauber e de sua geração diante do golpe de 1964. Mais do que isso: da ausência de reação popular ao golpe. O filme então é isso, entre outras coisas. Nasce de uma desesperada necessidade de entender o povo. Esse entendimento, claro, não é discursivo, embora ''Terra em Transe'' seja dos filmes mais falados do Cinema Novo.
''Este filme é radicalmente oposto a ''Deus e o Diabo na Terra do Sol''. No ambiente, no estilo, no ritmo, na cenografia, nos diálogos, no tema. É um filme urbano, direto, concentrado, violento. É um filme onde não existem efeitos técnicos nem sequências de brilho. O que interessa é seu todo dramático, a história que narra, os problemas que debate numa atmosfera onde o real e o fantástico se misturam dentro da maior liberdade possível'', disse Glauber Rocha à imprensa na época do lançamento de ''Terra em Transe'', em maio de 1967.

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