É bem verdade que de tempos para cá os marqueteiros das ‘majors’ americanas estão se superando na arte da manipulação dos trailers, ousando revelar cada vez mais das tramas em ritmo alucinante e barulhento, mas ao final evitando a ‘‘entrega’’ total da fatura. No caso de ‘‘Quando Um Estranho Chama’’, em lançamento nacional a partir de hoje, no entanto, quem viu o comercial nas salas soube com boa antecedência qual seria a grande reviravolta do argumento.
  Mesmo o site oficial haveyoucheckedthechildren.com (você já verificou as crianças?) parece ter sido escolhido deliberadamente para desmantelar a trama. Então, para aqueles poucos assíduos freqüentadores que não viram as chamadas - e não viram o filme homônimo de 1979 - vamos manter o suspense intacto. Mas ainda assim, o elemento surpresa não é suficiente para salvar esta peça de comunicação precária.
  O original até que era bem assustador, dado seu pioneirismo - depois viriam na mesma linha ‘‘Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado.’’ A estrutura agora é a mesma: a jovem e bonita adolescente Jill (Camilla Belle), em jornada de trabalho como baby sitter em casa de ricaços, é aterrorizada por voz fantasmagórica ao telefone. Como estamos em 2006, o celular foi acrescentado aos ingredientes. Mas estranhamente, a refilmagem cobre apenas a primeira parte do modelo dos anos 1970. Estica sem fim os acontecimentos neste segmento inicial e ignora sem cerimônia o restante do filme anterior.
  Não há nenhum terror de verdade até os últimos vinte minutos. Por isso, o diretor Simon West (‘‘Lara Croft’’, adianta alguma coisa?) atira sobre a platéia uns raros arrepios de faz-de-conta, tentando vender uma imagem de thriller psicológico inteligente e não a de um filme de terror. E o que é pior, às custas do pobre gato da família, insistentemente pulando em direção à câmera.
  O problema maior é que o roteiro subutiliza todos os clichês do terror, embora não o assumindo abertamente. E quando o material verdadeiramente ruim ocupa os acontecimentos ao final do filme, a causa de todos os problemas transforma-se em enorme e inconveniente anticlímax.

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