CINEMA - Política entra em cena no Festival de Cannes
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 16 de maio de 2017
France Presse 

Paris - A crise dos refugiados, as mudanças climáticas e o ativismo entraram na programação do Festival de Cannes, dando um colorido político à edição da maior mostra de cinema do mundo.
"Espero que a Coreia do Norte ou a Síria não ofusquem esta edição", declarou o presidente do festival, Pierre Lescure, ao apresentar a seleção de filmes deste ano. "Esperamos que este festival seja uma folga que permitirá não falar só de cinema, mas do cinema como reflexo do mundo (...), falamos de política e de grandes temas", postulou.
O destino dos refugiados é um tema abordado em vários filmes programados este ano, alguns deles inclusive na mostra oficial.
Em "Happy end", o diretor austríaco Michael Haneke, que já tem duas Palmas de Ouro, volta a trabalhar com Isabelle Huppert e Jean-Louis Trintigant para contar a história de uma família burguesa do norte da França, que vive perto de um acampamento de imigrantes.
O húngaro Kornél Mandruczo (prêmio Um Certo Olhar em 2014 por "White God") apresenta "Jupiter's Moon", um filme de gênero fantástico sobre a acolhida dos refugiados.
O mexicano Alejandro González Iñárritu volta à Croisette, desta vez com um projeto de realidade virtual sobre a experiência de ser um migrante. "Carne y arena", apresentado fora da competição, acompanha um grupo de refugiados "vivendo intensamente parte de seu périplo", segundo declarações do cineasta.
Por outro lado, a atriz e ativista britânica Vanessa Redgrave apresentará "Sea Sorrow", um documentário com esta mesma temática.
Além disso, a 70ª edição do festival prestará homenagem ao grande cineasta polonês Andrzej Wajda, falecido em outubro de 2016 e ganhador da Palma de Ouro em 1981 por "O homem de ferro", sobre as origens do sindicato Solidariedade. O líder histórico do Solidariedade, Lech Walesa, deverá assistir o ato.


