CINEMA - Poeta inventado
A história virou lenda, que por sua vez vai transformar-se em filme. O protagonista é o poeta japonês Satori Uso que, muitos anos atrás, publicou seus haicais nas páginas da Folha de Londrina. Ele teria nascido em 1945 e migrado ao Brasil em 1975 e instalaria-se no sítio de um amigo, em Assaí. Acontece que Satori Uso era um poeta fictício, que nasceu há 20 anos da imaginação de outro poeta, o londrinense Rodrigo Garcia Lopes. Até que a verdade viesse à tona, o poeta de verdade e reconhecido nacionalmente publicou vários haicais com o pseudônimo Satori Uso e arrancou comentários elogiosos, inclusive de gente de peso como o poeta Paulo Leminski. Tempos depois, Rodrigo Garcia Lopes desfez-se de seu personagem. Mas alguém em especial gostou tanto da história que resolveu produzir um documentário dando vida, ao menos nas telas, a Satori Uso. Para dar um fio condutor ao filme, o cineasta Rodrigo Grota introduziu modificações tanto no percurso quanto na personalidade do poeta japonês, além de lhe arranjar um grande amor: Satine, que o teria abandonado na Londrina da década de 50. O filme deverá estrear no segundo semestre em Londrina, com 15 minutos de duração porque trata-se de um curta-metragem.
Haicai ou Haikai é uma forma poética de origem japonesa, surgida por volta do século 16, que valoriza a concisão de versos. Em outras palavras, é a arte de dizer o máximo com o mínimo. O grande mestre desse estilo foi Matsuô Bashô (1644-1694).
Um dos representantes da nova geração de poetas brasileiros, o mais recente livro de Rodrigo Garcia Lopes chama-se Nômada (2004). O londrinense é também jornalista e tradutor e, no ano passado, publicou Leaves of Grass / Folhas de Relva, tradução fac-similar da primeira edição de Leaves of Grass, de Walt Whitman. Atua também como cantor e compositor e atualmente está lecionando literatura brasileira em uma universidade norte-americana.
O Programa Folha Cidadania tem como objetivo criar o hábito de leitura entre os jovens.





