O acesso do público a outros dois filmes paranaenses que ganharam kikitos em Gramado, ambos dirigidos por Fernando Severo, será um pouco mais difícil. ''Paisagem de Meninos'' é um média-metragem de 27 minutos e como Severo mesmo lembra, os festivais nacionais não privilegiam muito os médias. A intenção para melhorar e acelerar a distribuição do trabalho ainda está sendo cogitada pelo cineasta: ''Penso em anexar outros médias e curtas nacionais para fazer um longa com várias histórias sobre o mesma tema'', revela.
O média ''Paisagem de Meninos'' foi baseado num trecho da peça homônima escrita pelo diretor de teatro Edson Bueno, que também assina o roteiro do filme junto a Severo. Conta a história da infância do artista curitibano Poty Lazarotto, incluindo referência à história ''Haroldo Homem Relâmpago'', que Poty chegou a publicar na década de 30.
Também filmado na Lapa, cidade que abrigou grande parte das cenas de ''O Preço da Paz'', ''Paisagem de Meninos'' ganhou os kikitos de Melhor Média-Metragem e Melhor Ator (para Diego Kozievitch, com 13 anos na época das filmagens, ele foi o ator mais jovem a ganhar um kikito na história do festival) e ainda o prêmio especial de Direção de Arte. As imagens para o média foram captadas durante dez dias em 2000, mas o filme só foi finalizado em maio deste ano. A demora, novamente, ficou por conta da dificuldade de captação de recursos.
O Festival de Gramado também foi o cenário de estréia do média-metragem e não foi o único título de Severo a ser premiado. O documentário ''Visionários'', assinado pelo cineasta ganhou o prêmio aquisição do Canal Brasil. O filme vai estar mais perto do público, driblando a dificuldade de distribuição, já que o Canal Brasil passa incluí-lo na sua grade de programação. A previsão é de 40 exibições durante dois anos.
''Visionários'' é um projeto antigo de Severo. Filmado em Colorado (85 km ao norte de Maringá) e Guapirama (55 km ao sul de Jacarezinho), o documentário reúne duas histórias fantásticas sobre dois homens que tiveram visões místicas e decidiram construir sozinhos santuários. Em Colorado, Freitas de Miranda construiu a cidade de Aluminosa, uma cidade em miniatura para abrigar os sobreviventes do apocalipse previsto, segundo Miranda, para acontecer em dezembro de 1999. O fim do mundo não aconteceu, mas o ''visionário'' deixou um legado surpreendente que corria o risco de desaparecer no tempo, não fosse as imagens de Severo.
Em Guapirama, a 200 quilômetros da cidade de Aluminosa, Kekuno Warikoda também construiu um santuário, com divindades orientais. ''Ambos construíram as cidades entre as décadas de 60 e 70'', conta Severo, que também esbarrou na alta do dólar para ver a sua idéia finalizada. Quando o filme começou a ser rodado, há quatro anos, o dólar estava em paridade com o real, quando o filme foi terminado, o ano passado, a moeda americana ultrapassava três vezes o valor da moeda brasileira. Mas depois do sacrifício e de finalmente o projeto pronto, o documentário começa a colher os louros. Desde que estreou no circuito de festivais, o filme já abocanhou seis prêmios.
No Festival de Cinema, Vídeo e DCine de Curitiba ganhou os prêmios de Melhor Documentário e Melhor Trilha Sonora; no Festival Catarina de Documentários, que acontece em Camboriú, ganhou prêmio de Melhor Filme, Melhor Direção e Melhor Fotografia. Agora, o diretor do premiado documentário pretende inscrever o trabalhos nos próximos festivais nacionais e internacionais. Enquanto espera o resultado, já aposta em novos trabalhos.

mockup