Logo nos primeiros minutos de ''Bem Vindo à Selva'', outro lançamento americano a ocupar o circuito brasileiro (confira a programação de cinema na página 2), o espectador leva um susto com a presença de um não anunciado Arnold Schwarzenegger. O governador da Califórnia está ali em atitude simbólica, numa participação especial. É como se ele estivesse transferindo a franquia da força bruta para um sucessor, o brutamontes e ex-lutador The Rock (aliás Dwayne Johnson), já de esmagadora performance em ''Escorpião Rei''. Estabelecida a sucessão livre de qualquer concorrência (Stallone está mais para retiro dos artistas do que para uma boa dose de pancadaria), começa de fato este filme de aventuras na selva que - outra surpresa - não é assim tão ruim quanto parece, sob a direção do ex-ator Peter Berg.
Beck (The Rock), um caçador de recompensas que trabalha cobrando dívidas e procurando pessoas, de preferência vivas, é encarregado de viajar ao Amazonas para localizar Travis (Sean William Scott), garotão bem nascido que se meteu em problemas - ele está atrás de alguma coisa muito valiosa, também cobiçada pelo vilão Hatcher (Christopher Walken, especializando-se em maldades), uma espécie de louco que transformou a selva em seu próprio império. Quando encontra o rapaz, Beck descobre que ele é alguém amável, falador e divertido. Apesar das divergências iniciais, e de disputarem os favores afetivos da bela Mariana (Rosário Dawson), os dois se aliam não apenas para encontrar o tal tesouro como também para enfrentar o inimigo comum.
Com jeitão de aventura retrô, no estilo e na estrutura, ''Bem Vindo à Selva'' tem no humor uma arma eficiente para manter a platéia em sintonia com a narrativa, mesmo que existam problemas com o roteiro. Há sequências construídas com eficiência e uma quase total e bem vinda ausência de efeitos especiais, deixando por conta dos personagens e das situações o melhor da ação. Embora custando declaradamente US$ 85 milhões, o filme teve locações havaianas para simular a selva brasileira. Coisas de Hollwyood. E The Rock, se não se converter em paródia de si mesmo como seus antecessores, até que dará para o gasto requerido pelo gênero.

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