CINEMA - Palmas para o Brasil...
PUBLICAÇÃO
sábado, 22 de maio de 2004
Carlos Eduardo Lourenço Jorge<br> De Cannes<br> Especial para a Folha2 
Os vencedores de Cannes 2004 recebem seus prêmios hoje. O filme de Walter Salles,''Diários de Motocicleta'', tem chances de conquistar a Palma de Ouro em algumas categorias importantes. Os prêmios de ''Melhor Filme'' e ''Melhor Direção'' rondam os sonhos dos cinéfilos de plantão. A atuação do mexicano Gael García Bernal, que interpreta Che Guevara, também acirra a disputa pelo prêmio de ''Melhor Ator''. Após a exibição do filme, a avaliação dos jornalistas europeus aqueceram ainda mais as expectativas. Alguns mais efusivos, outros discretos: a grande imprensa reunida em Cannes abriu espaços generosos para falar de ''Diários de Motocicleta''. Sob o título ''A Infância de um Chefe'', o francês ''Le Figaro'' disse que ''o filme de Walter Salles é uma curiosidade apaixonante. De um episódio pouco conhecido da juventude do Che, ele faz uma tese e uma justificativa. Mas jamais de forma maniqueísta ou didática''. Já o ''France Soir'' definiu o filme como ''um road movie humanista, suntuosamente fotografado e interpretado com enorme sensibilidade por Gael Garcia Bernal''. Para o ''Nice-Matin'', o filme é ''corajoso, generoso, idealista e merece toda as considerações''. E termina com um ''hasta la palma, siempre!''
O italiano ''La Stampa'' disse que Walter e seus atores ''são bravíssimos ao retratar o frescor, o entusiasmo, a alegria, a seriedade daqueles dois rapazes dos anos 1950. (...) Belíssimo também é o modo de apresentar a extraordinária paisagem latino-americana. Talvez o filme, que tem mais impacto sentimental do que político, não seja tão significativo, mas é belo''. Para o ''Correire della Sera'', o filme ''não pretende contar um alvorecer de glória. Em vez disso, acrescenta um prólogo pouco conhecido da vida do Che (...), sem ênfase profética e com um constante tom de cativante frescor''.
Em texto intitulado ''A eterna busca da liberdade'', o ''La Reppublica'' afirmou: ''O mérito foi ter surpreendido todo aquele olhar encantado daqueles dois jovens conterrâneos de meia século atrás. (...) E sem ceder ao recurso fácil do presságio, à idéia da premonição de um destino excepcional''. A julgar pelo clima geral o filme que resgata uma fase da juventude do Che não deve morrer na praia da Riviera. Resta esperar e torcer.


