É possível comprar um Oscar com campanhas milionárias e lobby torpe? Nos últimos anos, muita gente passou a acreditar que sim. Mas segundo Frank Pierson, presidente da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas, a resposta é um veemente não. ''É triste pensar que o Oscar pode ser comprado, sobretudo para as pessoas que, no passado, ganharam os seus em disputas honestas'', diz Pierson à reportagem.
Para conter manobras antiéticas nas campanhas perpetradas pelos estúdios de Hollywood, a Academia anunciou a criação de um novo regulamento. Quem o desrespeitar poderá ter seu filme desqualificado da competição e executivos podem ser expulsos da Academia.
O estatuto, que começou a circular oficialmente entre os estúdios, tem 15 regras no total. Entre elas, a da proibição de telefonemas de lobistas para os votantes e da distribuição de DVDs ou fitas VHS que tragam extras. Também ficam vetadas sessões rega-bofe ou precedidas de discursos de atores. ''Não vamos tolerar mais abusos agora'', afirma Pierson.
O vale-tudo das campanhas para o Oscar começou há uma década, com a solidificação do estúdio Miramax e o apetite de Harvey Weinstein, co-diretor da companhia, por prêmios. De tentar dissuadir eleitores de que ''Chocolate'' era um bom filme até dizer que o matemático John Nash Jr., personagem de Russell Crowe em ''Uma Mente Brilhante'', era anti-semita, a Miramax já tentou tudo.
O ápice ocorreu neste ano, quando caciques do estúdio exageraram na promoção de ''Gangues de Nova York'', filme de Martin Scorsese recebido com hostilidade pela crítica. A Miramax promoveu nos principais jornais do país trechos de um artigo de Robert Wise, no qual o diretor de ''West Side Story'' dizia que '' ''Gangues' era inesquecível e sumarizava todo o trabalho de Scorsese''. Descobriu-se mais tarde que se tratava de uma fraude.
Mas a Miramax não é a única vilã. Nas últimas edições do Oscar, Universal, DreamWorks e Fox também preencheram suas cotas de gastos e calúnias. Na campanha do filme ''Moulin Rouge'', da Fox, frases de Wise e de Stanley Donen expressavam aprovação ao trabalho de Baz Lurhmann em anúncios.
Procurados pela reportagem, marqueteiros da Miramax e Universal não retornaram a ligação. Em entrevista a um jornal de Los Angeles, Tony Angellotti, atual lobista da Universal, disse que recebeu positivamente as novas leis. ''Se um estúdio aparecer com idéia diferente, vai ser nosso trabalho dizer que ela não combina com o novo regulamento e que temos que repensar a estratégia.''

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