CINEMA - Olhos atentos à arte de Wood Allen
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quarta-feira, 29 de junho de 2005
Katia Michelle Pires<br> Equipe da Folha 
Curitiba Começaram nesta semana, em Londres, as filmagens do novo longa-metragem do cineasta norte-americano Woody Allen. Na nova produção, o diretor volta a interpretar a si mesmo e contracena com Scarlett Johansson (de ''Encontros e Desencontros''), além de Hugh Jackman (O Wolverine de ''X-Men'') e Ian McShane. Normalmente obcecado pelo cenário nova-iorquino, Allen se volta pela segunda vez à ambientação londrina. Seu filme anterior ''Match point'', lançado ano passado, também foi filmado em Londres e também teve atuação de Johansson, a nova musa do diretor. Os dois filmes ainda não têm data para estrear no Brasil.
Normalmente, as obras de Allen chegam com atraso de até três anos nas salas brasileiras. Mas para consolo dos fãs do cineasta, o Teatro HSBC, de Curitiba, promove a partir de hoje, a ''Mostra Woody Allen''. Durante quatro dias, serão exibidos cinco comédias do diretor: ''Celebridades'', ''O Escorpião de Jade''; ''Igual a tudo na vida''; ''Dirigindo no Escuro'' e ''Broadway Danny Rose''. Essas não são as melhoras obras do cineasta, mas traçam um panorama dos mais recentes trabalhos de Allen, consagrado por suas comédias ácidas e inteligentes.
O filme mais antigo que será exibido na mostra é ''Broadway Danny Rose'', de 1984. O longa começa no Carnegie, um restaurante nova-iorquino. Na mesa, estão sentados alguns comediantes que recordam histórias de Danny Rose (Woody Allen), um ex-comediante que por não fazer sucesso se tornou um empresário que só tinha clientes fadados ao fracasso. Entretanto, havia um cantor ítalo-americano, Lou Canova (Nick Apollo Forte), que tinha sido colocado no ostracismo por ter fama de temperamental e beberrão. Danny acreditava que com o retorno da onda de nostalgia a carreira de Lou pudesse tomar novo impulso e assim se dedica à carreira do músico de corpo e alma. No decorrer do filme, a trama de relacionamentos que levam a situações embaraçosas e hilárias, tipicamente abordadas por Allen, dá a temática do longa.
Já ''Celebridades'' estreou no final da década de 90. O filme, que traz um elenco de celebridades como Leonardo di Caprio, Winona Ryder e Melanie Griffith conta a história de um repórter (Kenneth Branagh) que começa a andar com pessoas famosas, mas junto às novas conquistas, entra em contato também com o lado selvagem da fama e da fortuna. ''O Escorpião de Jade'', de 2001, é um filme sobre uma complicada investigação. A obra não é a que mais retrata a genialidade do diretor, mas ele volta a acertar nas produções seguintes, boas pedidas para a mostra no Teatro HSBC.
''Dirigindo no escuro'' e ''Igual a tudo na vida'' de 2002 e 2003, respectivamente são verdadeiras obras de arte do cineasta. O primeiro fala sobre um diretor de cinema que perdeu a mão (qualquer semelhança com o diretor não terá sido mera coincidência) e para completar fica completamente e literalmente cego ao dirigir a sua nova obra. No meio de tudo isso, o diretor vê a sua relação com a mulher desmoronar. Com uma crítica bem-humorada ao cinema europeu, o filme entra na lista das obrigações para quem acompanha a trajetória de Allen.
Um dos últimos filme do diretor que chegou ao Brasil é ''Igual a Tudo na Vida'', de 2003. No longa, Jerry Falk (Jason Biggs) é um aspirante a escritor, que vive em Nova York e se apaixona, à primeira vista, por uma jovem volúvel e excêntrica chamada Amanda (Christina Ricci). Certa vez Jerry comentou com um motorista de táxi sobre questões existenciais e o que ouviu o impressionou: eram que elas eram''iguais a tudo na vida''. Porém, ele descobre que a vida com a imprevisível Amanda não segue a máxima escutada. Como os filmes do diretor chegam sempre com atraso no Brasil, a mostra é uma boa oportunidade de matar saudades da obra de Woody Allen até que seus lançamentos entrem no circuito.
Serviço:
- Mostra Woody Allen. De hoje a 3 de julho, no Teatro HSBC, em Curitiba (Avenida Luiz Xavier, 11). Ingressos a R$ 6,00 e R$ 3,00.


