A entrega do 62º Globo de Ouro, domingo à noite, confirmou a reputação de melhor festa de cinema nos Estados Unidos. Os prêmios, dados também aos filmes, séries e atores que se destacaram na televisão norte-americana, foram atribuídos pela Associação da Imprensa Estrangeira de Hollywood e entregues durante jantar mais ou menos de gala, regado a Moet & Chandon, muito bate-papo nas mesas e muita descontração - o ator Liam Neeson, por exemplo, não tirou o palito da boca durante toda noite, no melhor estilo caminhoneiro - mas não só.
Ao contrário do Oscar, não se trata de arrastada cerimônia formal que premia de A a Z na indústria, mas de grande confraternização entre gente do ramo. O canal pago Sony transmitiu a premiação ao vivo para o Brasil, sem legendas. O ônus para o público que ficou ligado até duas da madrugada foram os longos intervalos, com intermináveis chamadas de hediondas séries televisivas que estão no ar, algumas delas concorrendo aos prêmios.
''O Aviador'', cinebiografia do milionário excêntrico e produtor de cinema Howard Hughes, levou três Globos e foi considerado o melhor drama. Os outros dois prêmios da produção foram para Leonardo DiCaprio e Howard Shore, respectivamente ator principal e compositor da trilha sonora. A vitória deve garantir a candidatura do filme ao Oscar, já que a tradição sugere que o ganhador do Globo repete a dose com a estatueta da Academia. O filme chega às telas brasileiras no dia 11 de fevereiro.
Num dos momentos mais emocionantes da noite, todos os presentes aplaudiram de pé a sólida caminhada de Clint Eastwood rumo ao palco, onde recebeu o prêmio de melhor direção por ''Million Dollar Baby'' (''Menina de Ouro'', título brasileiro; estréia por aqui em 4 de fevereiro). Eastwood, aos 74, é considerado um autêntico autor de Hollywood. Hilary Swank foi escolhida melhor atriz, vivendo a garota boxeadora do título.
O drama ''Closer'' (''Perto Demais''), de Mike Nichols, com estréia brasileira nesta sexta-feira, saiu logo de cara com dois prêmios, para os coajuvantes Clive Owen e Nathalie Portman. Mas ficou por aí. Outros dois prêmios foram para o favorito ''Sideways'' (''Entre Umas e Outras'', como a WB batizou o filme para lançamento no Brasil a partir de 18 de fevereiro): melhor comédia e melhor roteiro. E a maior barbada não decepcionou: muito aplaudido, Jamie Foxx foi o melhor ator na categoria comédia ou musical. O filme é a cinebiografia ''Ray'', em que ele interpreta o cantor Ray Charles. No palco, cheio de carisma, comandou a platéia entoando o refrão de um clássico do repertório de Charles.
O melhor filme estrangeiro, com justiça, foi ''Mar Adentro'', drama sobre a eutanásia dirigido pelo espanhol Alejandro Amenábar, derrotando entre outros os ''Diários de Motocicleta'', de Walter Salles. O Globo de Ouro especial à carreira foi para Robin Williams, que arrancou boas risadas dos colegas com seu humor imprevisível e ferino, que jorra sem grandes preocupações com os alvos de suas brincadeiras na platéia, Schwarzenegger recebeu o seu quinhão.
Durante a noite não faltou beleza e elegância: os modelitos de Nicole Kidman e Charlize Theron foram um arraso. E em conexão ao vivo de Nova York, o ex-presidente Bill Clinton fez um apelo em favor das vítimas do maremoto no sudeste da Ásia, enquanto agradecia a Associação da Imprensa Estrangeira de Hollywood por ''ter feito sua parte'' como uma das primeiras organizações que ofereceram ajuda econômica para as vítimas da tragédia.

mockup