O ator norte-americano Samuel L. Jackson é, quase sempre, associado a tensão, perigo e violência. Trata-se, na verdade, de uma herança do papel que o tirou da esfera dos meros coadjuvantes de luxo para arremessá-lo na lista dos grandes protagonistas: o inesquecível Jules Winnfield de ‘‘Pulp Fiction - Tempo de Violência’’, um sujeito tão hábil em recitar trechos da Bíblia quanto em eliminar os desafetos do próprio chefe. Ainda tirando proveito do merecido sucesso trazido pelo filme de Quentin Tarantino, Samuel L. Jackson é, hoje, um dos nomes mais assíduos nos cartazes de filmes produzidos por Hollywood. Desde ‘‘Pulp Fiction’’, de 94, já trabalhou em 14 filmes. ‘‘A Negociação’’, que estréia hoje em grande circuito, é o mais recente deles.
Samuel L. Jackson interpreta Danny Roman, o mais respeitado negociador de reféns da polícia de Chicago. Um dia, ele acorda sob a acusação de fraude e assassinato e resolve provar a própria inocência a todo custo. Danny sabe que as pessoas prestam mais atenção ao que os outros estão dizendo quando suas vidas correm perigo. Assim, ele sequestra o chefe da Corregedoria de Chicago para ganhar um pouco de tempo. O tempo que precisa para descobrir quem está por trás de tudo. O cínico Chris Sabian, vivido por Kevin Spacey, é incumbido de ouvir as exigências do mais novo fora-da-lei das redondezas.
A idéia original de ‘‘A Negociação’’ foi tirada de um caso verídico ocorrido em St. Louis, no Missouri, em outubro de 1994. Na ocasião, o melhor negociador de reféns do estado foi incriminado por membros do próprio departamento de polícia e acabou fazendo reféns para apontar os verdadeiros culpados. A possibilidade de contracenar novamente com o inglês Kevin Spacey foi um dos motivos que levaram Samuel L. Jackson a aceitar o convite do diretor Gary Gray. Os dois trabalharam juntos em ‘‘Tempo de Matar’’, adaptado do livro homônimo de John Grisham. No filme de Joel Schumacher, Samuel L. Jackson interpretava o papel de um pai que assassina os estupradores da filha, uma garota de dez anos, no estado do Mississipi, e Kevin Spacey, um promotor obstinado em mandar o tal sujeito para a cadeira elétrica.
A bem-sucedida parceria entre Samuel L. Jackson e Kevin Spacey é um dos grandes trunfos de ‘‘A Negociação’’. O fato de ter um ator do calibre de Samuel L. Jackson, que trabalhou em ‘‘Febre da Selva’’, de Spike Lee, e ‘‘Duro de Matar 3 - A Vingança’’, de Renny Harlin, à frente do elenco não parecia suficiente. Era preciso encontrar um ator que fosse capaz de contracenar de igual para igual com ele. Kevin Spacey, então, tornou-se o nome perfeito para o papel. A exemplo do próprio Samuel, Kevin teve de esperar por exatos 15 longas-metragens até ter o talento reconhecido em Hollywood. Foi em 1995, quando interpretou o serial killer que executava suas vítimas de acordo com os pecados capitais em ‘‘Seven - Os Sete Crimes Capitais’’, de David Fincher. Em seguida, o aparentemente inofensivo Verbal Kint, de ‘‘Os Suspeitos’’, e, mais recentemente, o oportunista Jack Vincennes, de ‘‘Los Angeles - Cidade Proibida’’, só confirmaram o talento de Kevin para os mais variados papéis.
Com Sam L. Jackson e Kevin Spacey já confirmados no elenco, restava a Gary Gray fazer de ‘‘A Negociação’’ um thriller ágil e envolvente. A tarefa não era das mais fáceis. Afinal, o currículo de Gray incluía apenas ‘‘Sexta-Feira em Apuros’’, de 95, e ‘‘Até as Últimas Consequências’’, de 96. O resultado de ‘‘A Negociação’’, porém, não fica nada a dever aos demais filmes de ação da temporada, como ‘‘Máquina Mortífera 4’’, de Richard Donner, e ‘‘Medidas Desesperadas’’, de Barbet Schroeder. Gray conseguiu fazer um filme que não se encaixa em nenhum gênero em particular. A história do policial que se vê obrigado a cometer um crime para provar a sua inocência é um bom exemplo de filme que reúne o melhor de ambos os gêneros.

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