Cinéfilos insatisfeitos com a mesmice burocrática dos blockbusters, com a linha industrial de montagem hollywoodiana e em busca de opções singulares no panorama exibidor local podem se programar com antecedência para os próximos dois meses.
A Divisão de Cinema e Vídeo da Casa de Cultura da UEL, responsável pela agenda de lançamentos na sala Com-Tour/UEL, localizada no Shopping Center Com-Tour, definiu com folgada margem de antecipação o formato da grade de lançamentos para julho e agosto. O fato pode ser comemorado, já que em decorrência da ampliação da rede exibidora alternativa no País, uma confortável marcação prévia é sempre problemática, em razão do numero de cópias disponíveis.
Nos próximos 60 dias, sempre na linha traçada de oferecer diversidade temática aliada à pluralidade cultural e à busca de conteúdos e formas instigantes, a programação visita cinematografias de vários continentes através de obras na maioria recompensadas por prêmios e acolhimento favorável da crítica. Em julho, abrindo já nesta sexta-feira, ''Em Direção ao Sul'' é co-produção franco-canadense dirigida por Laurent Cantet (''Emprego do Tempo'' e ''Recursos Humanos'').
Neste drama psicológico e social, a magnífica Charlotte Rampling vive a cinquentona que, em companhia de duas amigas na mesma faixa, vai ao Haiti fazer turismo sexual. De 12 a 18 o documentário brasileiro ''O Mundo em Duas Volta'' mostra a família Schurmann em peripécias no mar, quase cinco séculos depois, refazendo a incrível viagem de Fernão de Magalhães que resultou na descoberta da Patagônia. Um belo filme, e além disso didático, mas no melhor sentido.
Outro drama psicológico francês, vertente intimista, ''O Amor em 5 Tempos'' estará de 13 a 19, e traz a assinatura do sempre provocador François Ozon (''A Piscina'', ''Oito Mulheres''). O filme se divide em cinco cenas conjugais em versão light, apresentadas do fim (divórcio) ao começo (conhecimento e namoro). É como folhear um álbum de casamento ao contrário.
De 20 a 26, volta o cinema brasileiro com o polêmico e muito premiado ''Baixio das Bestas'', mais um atrevimento do diretor pernambucano Cláudio Assis (''Amarelo Manga''), ambicioso ao pretender sintetizar a ''podridão do mundo'' na decadente Zona da Mata de Pernambuco, dias de hoje. E fechando julho (27 a 2 de agosto), o lançamento é sul-coreano: ''O Hospedeiro'', de Bong Joon-ho, é na aparência ''filme de monstro'', mas não um monstro qualquer. O trabalho é nitidamente uma metáfora, com evidente recado/alerta ambientalista.
De 3 a 9 de agosto, o sul-africano ''Infância Roubada'', Oscar de filme estrangeiro em 2006, flagra o drama dos menores excluídos e levados à marginalidade em periferia urbana muito semelhante às nossas - miséria globalizada. De volta à Coréia do Sul, ''Lady Vingança'', de 10 a 16, é mais um forte exercício de estilo do diretor Park Chan-Wook, que encerra sua ''trilogia da vingança'' depois de ''Sr. Vingança'' e ''Old Boy''.
E de 17 a 23, a cineasta catalã Isabel Coixet narra em ''A Vida Secreta das Palavras'' o comovente encontro entre dois seres solitários e fragilizados por dramas pessoais.

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