CINEMA - Lições para não esquecer
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 10 de maio de 2007
Carlos Eduardo Lourenço Jorge<br> Especial para a Folha 2 
Em seção paralela muito especial, batizada de Les Rendez-Vous du Festival, todos os anos os jornalistas têm encontro marcado obrigatório com mestres em várias áreas.
São as lições, como são chamadas. E com razão. Uma é de cinema, sempre por conta de um realizador de respeitável peso. Outra é de musica, ou de trilha musical para filmes, a cargo de compositores de talento e folha corrida insuspeitados. E uma terceira, introduzida mais recentemente, é a de interpretação na frente das câmeras. Para esta edição festiva da mostra, que será realizada de 16 a 27 próximos, os escolhidos são um verdadeiro must, para ouvir com devoção.
Convidado especial da organização, Martin Scorsese, Oscar de direção por ''Os Infiltrados'' vai falar, e muito, como aliás gosta, sobre sua carpintaria enquanto diretor. Nos últimos anos os ''professores'' de cinema foram Nani Moretti, Wong Kar Wai, Stephen Frears e Sidney Pollack.
Mas Scorsese vai também fazer o lançamento, no dia 24, da fundação que ele criou, a World Cinema Foundation. A entidade será inteiramente dedicada à preservação e restauração de obras-primas do cinema mundial com a integridade física ameaçada e que poderiam se perder para sempre. E no dia 27, na cerimônia de encerramento, o diretor de ''Touro Indomável'' entregará o prêmio Caméra d'Or, que consagra o melhor filme de estréia apresentado nas diversas seções do Festival de Cannes.
Quem segura a batuta na lição de musica é o multipremiado Howard Shore, que dará sua master class na presença do diretor David Cronenberg. Os dois canadenses têm uma longa e bem sucedida parceria - ''A Mosca'', ''Spider'', ''Estranhos Prazeres'', ''Uma História de Violência'', entre outros títulos. O compositor carrega alguns Oscar na bagagem, entre eles o que ganhou pela imponente trilha da trilogia ''O Senhor dos Anéis''.
Ator na melhor tradição versátil da escola italiana, aquela irresistível alquimia de drama e comédia, Sergio Castellitto foi o escolhido para ministrar a lição de interpretação. Um dos melhores atores de sua geração, com a enorme responsabilidade de preencher lacunas deixadas por monstros sagrados, Castellitto saiu-se muito bem da dura tarefa, e performances como as que proporcionou em ''O Homem das Estrelas'', ''Não se Mova'', ''Concorrência Desleal'' e sobretudo ''A Hora da Religião'' garantem antecipadamente grandes momentos em sua companhia.


