CINEMA - Imagens da outra campanha
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 18 de outubro de 2006
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
Geraldo Alckmin fez propaganda involuntária do filme recentemente ao afirmar que um assessor direto de Lula, envolvido em denúncias de corrupção, aparece ''logo na primeira cena''. O filme citado pelo candidato tucano à eleição presidencial é o documentário ''Entreatos'', de João Moreira Salles, principal atração de hoje da Mostra 35 mm da 8 Mostra Londrina de Cinema.
A sessão começa às 21 horas na sala 2 do Multiplex Catuaí (Catuaí Shopping Center), que exibe ainda os curtas-metragens ''Acossada'' (de Karen Akerman e Karen Black), ''Dormente'' (Joel Pizzini) e ''Viva Volta'' (Heloisa Passos). Um dos títulos mais aguardado da Mostra, ''Entreatos'' registra os últimos 33 dias da campanha de Lula, em 2002, em direção ao Palácio do Planalto.
Lançado em circuito comercial dois anos depois, o longa resultou de 270 horas de gravação de comícios, entrevistas, debates e flagrantes de bastidores. Na mesa de edição, o diretor optou por selecionar imagens mais reservadas do candidato enfatizando reuniões da coordenação petista da campanha e conversas privadas em viagens de avião.
Uma única vez, a câmera voltou-se para a intimidade familiar mostrando Lula no momento da oração no dia de seu aniversário no apartamento em São Bernardo do Campo (SP). Ele, aliás, surge bem-humorado em diversas situações - algumas hilariantes. Entre as curiosidades do 'making of', destaca-se a cena em que o ex-operário do ABC recebe a confirmação de que foi eleito Presidente do Brasil. Ela foi filmada por Mariana, filha do senador Aloísio Mercadante, a pedido de Moreira Salles.
Na ocasião, a equipe de filmagem não havia obtido autorização para chegar ao local do anúncio. Pelo que consta até hoje, Sales teve total autonomia para trabalhar e usar as imagens captadas, sem nenhuma interferência ou proibição por parte de Lula ou de sua equipe - ainda que José Dirceu apareça no documentário perguntando quem é o pessoal da filmagem.
Quando ''Entreatos'' foi lançado em circuito comercial, os currículos dos principais dirigentes do PT ainda não haviam sido manchado pela enxurrada de denúncias de corrupção. Depois que a lama alcançou - e derrubou - o núcleo duro do partido, o filme tornou-se uma curiosa peça de campanha para a oposição, que passou a procurar nele supostas ''pistas'' antecipadoras da crise do governo Lula. Alckmin só repercutiu a brincadeirinha de detetive.


