Nem as estréias mais recentes das superproduções ''King Kong'', de Peter Jackson, o homem que bateu recordes com a trilogia ''O Senhor dos Anéis'', e ''As Crônicas de Nárnia: o Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupas'', início da saga em que a Disney vai apostar forte nos próximos anos, conseguiram mudar os números. Segundo as estatísticas, nas bilheterias dos Estados Unidos e Canadá em 2005 foram vendidos um bilhão e 400 milhões de ingressos, seis por cento menos que em 2004 e a cifra mais baixa desde 1997. Pela primeira vez na história, a indústria cinematográfica americana registrou queda de espectadores por três anos consecutivos.
O resultado em dinheiro chega a uns 8 bilhões e 700 milhões de dólares, enquanto que no ano passado foram contabilizados 9 bilhões e 200 milhões de dólares. Fala-se já do maior déficit dos últimos 20 anos. E a diferença poderia ter sido pior, não fosse o poder da magia de Harry Potter e seu generoso cálice de fogo no início deste mês.
''King Kong'', segunda refilmagem da clássica história do gorila apaixonado pela bela atriz interpretada por Naomi Watts, custou 207 e era praticamente a última esperança da dar a volta por cima. Mas apesar das expectativas, que criaram até um novo fenômeno ''Titanic'', no fim de semana de estréia nos EUA o filme arrecadou 66 milhões de dólares, bem menos do se esperava. De qualquer maneira, ''King Kong'', que acabou nominado somente em duas categorias do Globo de Ouro, não foi o único título que frustrou os executivos dos grandes estúdios em 2005. Entre os grandes fracassos estão ''Cruzada'', de Ridley Scott, ''A Luta Pela Esperança'', de Ron Howard, e ''A Ilha'' neste caso, pensou-se inclusive que todo o gênero de ação estava em crise.
Bem, as causas desta queda de espectadores nas salas. Duas óbvias, e com pesos bem definidos. A mais evidente é que o público sabe que, no mais tardar de quatro a cinco meses depois da estréia nas salas, os filmes estarão nas locadoras. E como desdobramento desta, o acesso cada vez mais facilitado aos aparelhos de DVD. A outra causa é a qualidade dos filmes, segundo padrões regulados pelo público.
Quanto aos grandes prêmios cinematográficos, a temporada começou há pouco com as nominações para o Globo de Ouro, que serão entregues no dia 16 de janeiro. Segundo a Associação da Imprensa Estrangeira em Hollywood, os melhores do ano foram ''O Segredo da Montanha'', ''O Jardineiro Fiel'' (ver matéria nesta página), ''Good Night and Good Luck'', ''Marcas da Violência'' e ''Match Point''.
Resta saber se as estréias mais aguardadas da próxima temporada conseguirão reverter a tendência. Entre aquelas já muito mediatizadas figuram a refilmagem de um dos mais bem sucedidos filmes catástrofes, ''O Destino do Poseidon'', o badalado best-seller ''O Código Da Vinci'' - se toda a legião mundial de leitores for ao cinema Hollywood estará salva - e ''Missão Impossível 3''.
E no Brasil as coisas não foram muito diferentes, guardadas as devidas proporções. 2005 não repetiu 2003 e 2004, ótimos anos para o cinema nacional, com cerca de 24 por cento de ocupação do mercado interno. Esta temporada que se encerra registrou queda, e somente 14 por cento do mercado foi ocupado pelo filme brasileiro. O grande campeão foi ''2 Filhos de Francisco'', com 5 milhões e 400 mil espectadores. Também por aqui, como no resto do mundo, 2005 foi ano de retração nas bilheterias com relação ao produto hollywoodiano.

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