CINEMA - Finalmente, Os Simpsons
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quinta-feira, 16 de agosto de 2007
Luiz Zanin Oricchio<br> Agência Estado 
São Paulo - Chega ao mercado cinematográfico mais uma mania das séries de TV, agora o desenho animado ''Os Simpsons'', criado por Matt Groening para a Fox Network há quase 20 anos. Nesse meio tempo, virou um ícone pop americano e difundiu-se pelo mundo, como tudo que emana de lá. Na tela grande, deve repetir o sucesso com os fãs, ocupando o circuito com cerca de 500 cópias, das quais a grande maioria dublada. Poucos verão (ouvirão) as ''vozes'' originais de Homer Simpson e família. Mas isso é questão de escolha, e a preferência dos brasileiros pelos filmes dublados vem se acentuando nos últimos anos para desespero dos puristas, que temem ver repetida por aqui a situação de alguns países da Europa, como Itália e Alemanha, nos quais o cinéfilo tem de penar para assistir aos filmes estrangeiros em suas versões originais. Mas esta é outra história. Mesmo porque, dublado ou legendado, esta versão cinematográfica dos ''Simpsons'' dá seu recado direitinho.
A primeira coisa a ser dita é que, a julgar pelas reações nas sessões para imprensa, o filme parece ser engraçadíssimo para aqueles que já são fãs da série.
Esse tipo de sensação cômica parece vir menos, ou talvez tanto daquilo que realmente está sendo mostrado na tela do que da sensação prazerosa de reconhecimento do que já se viu antes - na televisão. Mas, mesmo para quem não ficou grudado na telinha esses anos todos acompanhando a saga da família Simpson, o filme reserva seus momentos de graça.
Em especial por brincar com ícones da cultura americana, como os atores Tom Hanks, sempre politicamente correto, e o brutamontes Arnold Schwarzenegger, austríaco de nascimento, e que se tornou governador da Califórnia. Aliás, a graça dos Simpsons está, e sempre esteve, em sua incorreção política, em especial a do seu personagem principal, Homer, que uma vez já serviu de base de comparação ao apresentador William Bonner para definir seu público-alvo no ''Jornal Nacional''.
A historinha do filme não poderia ser mais exemplar. Homer toma-se de amizade por um porquinho, o Spider Pig, que leva para casa. Como o animal tem de fazer suas necessidade, Homer arruma uma espécie de silo que servirá para depósito de dejetos. Quando cheio, ele o jogará no já poluído lago de Springfield, causando uma catástrofe ecológica. Que será devidamente punida pelo governo do Estado, cujas forças da lei cobrirão Springfield com uma cúpula de vidro blindado, para evitar a fuga dos moradores.
A história, em tons um tanto surrealistas, embute várias farpas em relação ao modo de vida americano, esse mesmo que eles exportam com sucesso para o resto do mundo. De um lado, a consciência ecológica, que se desenvolve ao lado da indiferença dos ''maus cidadãos'', como Homer. De outro, os que defendem essa consciência, outrora chamados de ''eco-chatos'' quando eram minoritários e não tinham poder. Agora que o têm, passam a exercer uma verdadeira tirania sobre outros seres humanos, tudo em nome da proteção do meio ambiente. Quer dizer, concluiu-se que o ser humano é um obstáculo para a preservação da natureza e, como ser indesejável, ele deve ser detido e, no limite, exterminado. Essa, a lógica da ecologia xiita colocada com muito sarcasmo pelo filme. No caso, quem a representa é a poderosa EPA (Enviromental Protection Agency).


