CINEMA - Filmes e fórum debatem o meio ambiente
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 11 de junho de 2007
Carlos Eduardo Lourenço Jorge<br> Especial para a Folha 2 
Maior mostra competitiva sobre cinema ambiental do país, o FICA chega à sua nona edição demonstrando que, como atividade segmentada, cresceu em qualidade o suficiente para se tornar o mais importante evento no inchado calendário de festivais de cinema que acontecem no Brasil. Exibindo temática urgente e atual, o festival traz no conjunto filmes em fina sintonia com a agenda mundial do meio ambiente.
Entre os temas abordados na multifacetada seleção de trabalhos previstos na grade deste ano estão as principais manchetes da mídia mundial: aquecimento global, produtos transgênicos e até guerra nuclear. A direção geral do FICA volta este ano ao comando do veterano e premiado cineasta João Batista de Andrade, um dos criadores da mostra em 1999. A promoção é da Agepel - Agência Goiana de Cultura.
De hoje a domingo, a pacata e tradicional Cidade de Goiás, ou Goiás Velho, patrimônio cultural da humanidade, será o cenário de intensa programação que vai da exibição de 35 longas, médias e curtas-metragens em cinema e vídeo em competição até a realização de oficinas, cursos, exposições e mostras de filmes brasileiros.
Os filmes da mostra competitiva foram selecionados entre 552 títulos inscritos por 62 países. O júri de seleção indicou 31 obras, sendo seis longas metragens, 8 médias, 15 curtas e duas séries televisivas. Os critérios para a definição dos finalistas foram: adequação ao tema, originalidade na abordagem, qualidade técnica e inovação de linguagem.
Os filmes concorrem a um total de R$ 240 mil reais em prêmios e a troféus, sendo o mais significativo o Grande Prêmio Cora Coralina para melhor filme, homenagem a uma das mais expressivas poetisas brasileiras, nascida na cidade de Goiás. Entre os seis longas selecionados, cinco são documentários. Os destaques são o suíço-alemão ''Gambit'', sobre um alto executivo da Rhodia condenado a cinco anos na Itália; o belgo-alemão ''Khadak'', sobre o fim da vida nômade na Mongólia e o trabalho escravo nas minas da cidade; e o média metragem ''Radiophobia'', documentário espanhol sobre a utilização da energia nuclear a partir da tragédia de Chernóbil.
Mas há uma outra atividade paralela em destaque que também vai atrair atenções gerais. Amanhã e quarta acontece o Fórum: o Clima, a Amazônia e o Cerrado.
Coordenado pelo experiente jornalista Washington Novaes, o Fórum vai reunir alguns dos principais especialistas brasileiros em mudanças do clima. Eles vão analisar as consequências das transformações climáticas mais importantes detectadas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, e que afetam profundamente as regiões amazônica e do cerrado, com fortes repercussões no agricultura.
Outro tema a ser debatido durante o Fórum é o das políticas públicas necessárias e adequadas para enfrentar as mudanças climáticas, como o controle da emissão de gases poluentes e o desmatamento. Todas as conferências e debates serão gravados e oferecidos como subsídio à rede de ensino e às instituições formuladores de políticas. A FOLHA2 vai fazer a cobertura do festival.


