CINEMA - Filme traz história comovente
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sábado, 05 de agosto de 2006
Ana Paula Nascimento<br> Reportagem Local 
Luz! Câmera! Ação! Em contagem regressiva, entra em cena o projeto ''Maria Angélica'', de autoria do jornalista Francelino França. As primeiras cenas deverão ser rodadas a partir de segunda-feira e a expectativa é que até o dia 20 de agosto o curta-metragem de 15 minutos (incluindo os créditos) esteja pronto para entrar em fase de finalização. Devido a intercorrências financeiras, o projeto teve que ser adaptado e a captação será em H.D.V. (tecnologia digital de alta resolução) e não mais em película de 35 mm como foi apresentado no projeto original. Ansioso, mas também bastante otimista, o jornalista e idealizador do projeto Francelino França parece não se abater com alguns problemas técnicos e financeiros enfrentados desde o início do projeto. Entusiasmado, explicou que pelo menos a finalização será em 35 mm e que a verba para essa parte da complexa tarefa de se realizar cinema no Brasil ainda está em fase de captação. Aprovado pelo Programa Municipal de Incentivo à Cultura (Promic), a realização do projeto teve o aporte financeiro de R$ 79.698 20 mil a menos do que o previsto no projeto original. Todo o dinheiro deveria ter sido depositado até o final de julho e a expectativa era de que até a última quinta-feira a primeira parcela, no valor de R$ 20 mil estivesse depositada, segundo informações repassadas para França pelo secretário de Cultura Luciano Bitencourt. Correndo contra o tempo, a equipe conta com a preciosa ajuda de parceiros. ''Sem parceria é impossível fazer cinema'', ressaltou França.
Em clima de ''pôr ordem na casa'', a equipe técnica, na terça-feira passada, era só correria na Casa do Criador, no Parque Ney Braga local escolhido para as gravações internas do filme. As imagens externas serão feitas no Cemitério San Raphael, em Rolândia, e numa estrada de Cambé.
Entre móveis antigos e salas amplas, onde normalmente se realizam festas da alta sociedade londrinense, foram feitos os últimos ajustes para dar o ''start'' do curta que já chega com a intenção de percorrer festivais nacionais e internacionais. ''Eu estou pensando grande e foi um desafio enorme criar um roteiro diferenciado, buscando uma qualidade técnica e estética que permita a circulação do curta de uma forma mais ampla'', explicou França.
E foi de uma conversa de bar, em 2001, entre amigos, que surgiu o roteiro de ''Maria Angélica'', tendo como objetivo uma temática universal e que não ''sugasse'' da literatura o que normalmente acontece o seu mote.
Caracterizado como um filme de ficção, a sinopse traz a história de uma garota, Maria Angélica, que vive entre a opressão de uma mãe agressiva e a liberdade de encontro com seu próprio mundo. A história trata de questões existenciais ao apresentar a agressividade da mãe, que se sente culpada por ter matado acidentalmente o filho recém-nascido. A mãe da família é uma espécie de Medéia arrependida. O sentimento de culpa desestabiliza o comportamento dessa mulher que acaba usando a violência contra sua filha de nove anos para aplacar sua dor. O refúgio para a garota é o cemitério, local onde a mãe religiosamente cumpre uma promessa. Naquele território, a menina se sente livre, sem opressão e violência, e fala com amigos imaginários, crianças já falecidas, além de um intrigante coveiro. O pai da garota acompanha tudo com uma atitude passiva diante da violência e do comportamento da mulher. E no fim, o suspense de um final que pretende ser surpreendente.
Para dar vida aos personagens, a pequena Paula Côrtes de Ferraz Delfiol, 10 anos, foi escolhida entre 108 crianças para protagonizar a personagem Maria Angélica. Além dela, de Londrina, mais duas atrizes participam como elenco de apoio e 23 pessoas como figurantes, incluindo um bebê. Para os papéis mais complexos, três atores de São Paulo foram especialmente selecionados pelo jornalista Francelino França para a empreitada cinematográfica.
A escolha da atriz que irá viver a mãe da protagonista gerou até uma polêmica que foi parar na página da colunista da Folha de São Paulo, Mônica Bergamo.
Com tudo acertado previamente, a poucos dias do início das filmagens, a atriz Leona Cavalli desistiu de participar do curta-metragem londrinense após ser convidada para trabalhar em uma minissérie da Rede Globo, em setembro. Após sugestão do diretor de teatro Luiz Valcazaras, amigo de França, o papel acabou ficando com a atriz Juliana Galdino, com reconhecida experiência em TV, teatro e cinema, com formação que passou pelo crivo do respeitado Antunes Filho. Com ela estarão os atores Genésio de Barros, que irá interpretar o papel do coveiro, apelidado de ''Véio que ri'', e Jairo Matos, que dará vida ao pai personagem não menos polêmico da trama. O trio paulista deveria chegar na quinta-feira a Londrina para se juntar ao elenco londrinense composto de 23 pessoas. Com a ''orquestra'' bem afinada, só falta agora apertar o ''play''.


