Carlos Eduardo Lourenço Jorge
Especial para a Folha 2
  ‘‘Diários da Motocicleta’’ já tem estréia definida para o circuito brasileiro, segundo informa a assessoria da Lumière, que distribui o filme no país. O filme de Walter Salles chega às salas no dia 7 de maio, pouco antes da exibição durante o Festival de Cannes - 12 a 23 -, muito provavelmente em competição. O trailer começou a ser exibido no último fim de semana, aproveitando o feriado prolongado da Semana Santa.
  ‘‘Diários da Motocicleta’’ tem roteiro baseado nos relatos ‘‘Diários de Viagem’’, de Ernesto Guevara de la Serna, e ‘Con el Che por Sudamerica’’, de Alberto Granado. São narrativas sobre a viagem que os autores fizeram juntos há meio século, durante oito meses, através do continente latino-americano, saindo da Argentina e chegando até a Venezuela. Ernesto, mais tarde imortalizado como o Che Guevara, e seu companheiro, Alberto, percorreram - e descobriram - boa parte do continente durante o que seria o rito de passagem de dois jovens idealistas, a princípio pilotando ‘‘La Poderosa’’, a velha moto Norton 500, e depois utilizando os meios de transporte que estivessem à mão.
  Interpretado por Gael Garcia Bernal (‘‘Y Tu Mamá También’’, ‘‘O Crime do Padre Amaro’’, ‘‘La Mala Educación’’) como o jovem Ernesto Guevara, e Rodrigo de la Serna como Alberto Granado, o filme terá pré-estréia para a imprensa em São Paulo no fim deste mês com a presença do diretor Walter Salles, dos dois atores principais e do próprio Alberto Granado, hoje com 83 anos e morando em Havana.
  Com produção executiva de Robert Redford, ‘‘Diários da Motocicleta’’ teve estréia mundial na seção World Premiere do Sundance Festival, em janeiro, a mesma em que ‘‘Central do Brasil’’ estreou em 1998. Os principais jornais que fizeram a cobertura de Sundance-2004 receberam o filme com grande generosidade, em especial os ingleses The Guardian (‘‘um filme extraordinário’’), The Times (‘‘o filme mais impressionante do festival; Garcia Bernal faz o jovem Che de forma inesquecível’’) e Daily Telegraph (‘‘o melhor filme do festival é da América Latina; Diários é emocionante, faz pensar e conta com duas interpretações extraordinárias’’). O exigente crítico Todd McCarthy, do semanário americano Variety, também não deixou por menos: ‘‘é uma bela, elaborada narrativa sobre o despertar da consciência; engenhoso e inteligente, político sem ser didático’’.

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