CINEMA - Festival de Veneza celebra a Itália e grandes autores
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 31 de julho de 2003
Carlos Eduardo Lourenço Jorge<br> Especial para a Folha 
Carga compacta por conta dos filmes italianos escalados para a 60 Mostra Internazionale d'Arte Cinematográfica que acontece em Veneza de 27 de agosto a 6 de setembro. O esquadrão doméstico, liderado pelos veteranos Bernardo Bertolucci e Marco Bellochio, comparece com nada menos que 39 títulos distribuídos pelas várias seções - três emplacados na principal, a competitiva ''Venezia 60'', concorrendo ao Leão de Ouro. Há um bom número de produções americanas, mas apenas uma em concurso. A Ásia, ainda se ressentindo do efeito Sars, conta este ano com menos participantes. A concorrência expressiva da Itália, além de celebrar os 60 anos da mais antiga resenha cinematográfica mundial, reconhece e valoriza o excelente desempenho da produção local nas bilheterias do país nesta temporada, pela primeira vez em muitos anos superando a concorrência ''blockbuster'' hollywoodiana.
Nomes consagrados como Manoel de Oliveira, Takeshi Kitano, Tsai Ming Liang, Marco Bellocchio, Margarethe von Trotta e Amos Gitai garantem de antemão o prestígio autoral da mostra.
O Brasil chega a esta edição veneziana como participante colateral. Na prestigiosa seção não competitiva ''Novos Territórios'' está o documentário de longa metragem ''O Prisioneiro da Grade de Ferro (auto-retratos)'', de Paulo Sacramento. O filme, que concorre ao Kikito da categoria no 31º Festival de Gramado, a partir do dia 18, leva novamente a um festival internacional o universo carcerário de Carandiru, mas agora através do olhar dos próprios presos, que um ano antes da desativação do local aprenderam a usar câmeras de vídeo e documentaram o próprio cotidiano. E quem comparece especialmente, como ''Film Evento'', é o clássico ''Barravento'' de Glauber Rocha, em cópia restaurada 42 anos depois da estréia.
Mas é fora de concurso que o Festival de Veneza reservou as atrações de maior apelo mediático. Além do mais recente Woody Allen abrindo a mostra em pré-estréia mundial (com o diretor pela primeira vez dando as caras e se colocando à disposição da imprensa), serão vistos filmes recém-concluídos de autores como Bernardo Bertolucci (''I Sognatori''), Joel e Ethan Coen (''Intolerable Cruelty''), James Ivory (''Le Divorce''), Jim Jarmush (''Coffee and Cigarettes''), Ridley Scott (''Matchstick Men''), Robert Rodriguez (''Once Upon a Time in México''), Robert Benton (''The Human Stain''), François Dupeyron (''Monsieur Ibrahim et les Fleurs du Coran'') e Stephen Norrington (''The League of Extraordinary Gentlemen''), todos com elencos recheados de grandes nomes bem ao gosto daquela fatia mundana das vitrines cinematográficas internacionais.
Por coincidência, o Festival de Veneza vai presenciar o encontro de dois realizadores atuando em faixas etárias particularmente distanciadas. De um lado, na competição oficial, o decano português Manoel de Oliveira, do alto de seus 95 anos com ''Um Filme Falado'', e na outra ponta a mais nova representante do clã iraniano Makhmalbaf, a apenas adolescente Hana (filha de Moshen e irmã de Samira), que aos 15 anos vai mostrar na ''Semana Internacional da Crítica'' seu primeiro longa metragem, ''Joy of Madness''.


