Nova York - O impasse da distribuição de ''Fahrenheit 911'' nos Estados Unidos foi resolvido com a compra dos direitos da fita pelos irmãos Weinstein, por US$ 6 milhões. A produção deve chegar aos cinemas americanos no final de julho e, enquanto isso, Michael Moore vem enfrentando reações do público conservador proporcionais à atenção que vem ganhando desde que levou a Palma de Ouro, em Cannes.
Depois de três semanas de negociações cercadas de tensão, a Disney, que decidiu proibir a subsidiária Miramax de distribuir a produção, concordou em vender os direitos para os irmãos Bob e Harvey Weinstein, que dirigem o estúdio. Assim como aconteceu com outros filmes polêmicos, como ''Dogma'' e ''Kids'', eles podem repassar a distribuição para outras empresas. Eles estariam negociando com vários estúdios diferentes, para acertar a estréia nos cinemas e lançamento em VHS e DVD.
Inicialmente, a idéia do diretor era colocar ''Fahrenheit 911'' nos cinemas no feriado de 4 de julho, que marca a independência americana e é um concorrido período nas bilheterias. Como o tempo de divulgação ficaria muito limitado, o plano agora é estrear no fim de julho, quando os grandes blockbusters de verão começam a perder força.
Desde que o filme começou a ganhar repercussão, Moore tem sido alvo de críticas da ala conservadora americana e tem recebido sérias ameaças de morte por meio de seu website oficial, no endereço http://www.michaelmoore.com. O diretor não estaria surpreso, já que recebeu o mesmo tipo de mensagens, em menor número, depois que recebeu o Oscar por ''Tiros em Columbine''.
Desta vez há até uma tentativa de resposta na mesma moeda. Um jovem está promovendo um documentário, ainda inacabado, chamado ''Michael Moore Hates America'' (''Michael Moore Odeia a América''), que tenta provar que o país ''não está tão mal quanto o diretor afirma em seus filmes''. Entre outras coisas, a fita quer mostrar que o trabalhador comum ainda tem boas chances de se dar bem no mundo das corporações.
A idéia do diretor Michael Wilson é perseguir Moore para uma entrevista, da mesma maneira com que o cineasta faz em seus filmes. Até agora, a assessoria de imprensa dele não respondeu os inúmeros pedidos de entrevista. Wilson já conseguiu aparecer em vários canais de TV falando sobre o projeto conservador, que tem um trailer postado na internet.
''Fahrenheit 911'' também vem ganhando atenção nos últimos dias porque Moore confirmou que sua equipe havia entrevistado o americano Nicholas Berg, que foi decapitado em maio no Iraque. Ele decidiu não incluir a entrevista no filme e disse que só vai mostrar as imagens para a família. O irmão da vítima, David Berg, disse que Moore teve ''dignidade e respeito'' em relação ao assunto.

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