CINEMA - Extenso repertório amoroso
PUBLICAÇÃO
sábado, 13 de dezembro de 2003
Carlos Eduardo Lourenço Jorge<br> Especial para a Folha2 
Tempo de festas, tempo de efusões afetivas, mensagens carregadas de bons augúrios estilo paz, amor, prosperidade. A este ameno quadro pré-Natal junta-se o clima sentimental-humorístico da comédia romântica ''Simplesmente Amor'', estreando em Londrina (confira a programação de cinema na página 2). Apesar de um tanto ambicioso em sua proposta, o filme acaba saindo melhor que a encomenda. E desde que não se espere um caleidoscópio à feição Robert Altman, ninguém sairá frustrado do cinema.
É um extenso repertório de histórias românticas em torno de uns vinte personagens, circulando por uma estrutura narrativa de certa complexidade, mas que não padece de coerência, dispersão ou desequilíbrio. Quem orquestra o mosaico de tramas que correm paralelas é o talentoso neo-zelandês radicado na Inglaterra, Richard Curtis, estreando como diretor. E experiência e bom relacionamento com o grande público não lhe faltam: ele escreveu nada menos que os maiores hits do cinema inglês recente, de ''Quatro Casamentos e Um Funeral'' a ''O Diário de Bridget Jones'', passando por ''Um Lugar Chamado Nothing Hill''.
Ambientado em Londres nas cinco semanas que antecedem o Natal, ''Simplesmente Amor'' oferece uma multifacetada diversidade humana. Há o primeiro-ministro inglês solteirão (Hugh Grant) e deslumbrado com a bela assistente, que por sua vez tenta seduzir o presidente dos Estados Unidos (Billy Bob Thornton) A irmã dele (Emma Thompson) vive momentos difíceis porque desconfia do marido (Alan Rickman). Uma empregada deste (Laura Linney) curte paixão ardente pelo colega de trabalho mais jovem (Rodrigo Santoro, agora com direito a voz depois da fugaz e muda aventura com as panteras). O escritor de policiais (Colin Firth) descobre que é enganado pela mulher e vai à França se apaixonar por uma portuguesa simples e que nada fala de inglês.
Uma ruiva (Keira Kneightley) se casa com um negro (Chiwetel Ejiofor), cujo melhor amigo está louco pela moça. Há o ídolo roqueiro envelhecido (Bill Nighy) que pretende reciclar velho hit para ganhar dinheiro no Natal. E o viuvo recente (Liam Neeson) que se desdobrar para ganhar a afeição do enteado de dez anos. E entre as historietas, um insuportável e metido vendedor. Quem? Rowan Atkinson, o Mr. Bean.
Bem mais acertos que lamentações, nesta comédia leve e complacente que naturalmente busca e encontra o happy end.


