CINEMA - Enfim, notícias sobre o 'Gaijin 2'
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sexta-feira, 08 de julho de 2005
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
As platéias dos festivais de cinema de Brasília e Gramado poderão ser as primeiras no Brasil a assistir ao longa-metragem ''Gaijin 2 - Ama-me Como Sou'', de Tizuka Yamasaki. Foi o que a diretora anunciou ontem durante entrevista coletiva em Londrina, onde desembarcou para receber uma homenagem da comunidade nikkei no Festival Portal do Oriente, que está sendo realizado no Centro de Eventos do Armazém da Moda em celebração aos 97 anos de imigração japonesa no Brasil.
O filme será exibido no próximo dia 20 na abertura do Festival de Cinema de Brasília. Para Gramado, falta a confirmação oficial, aguardada para a próxima segunda-feira. O Festival gaúcho acontece entre os dias 15 e 20 de agosto. Mas o leitor deve estar perguntando quando chega ao circuito comercial? ''O lançamento nacional será no dia 2 de setembro, provavelmente em São Paulo e em Londrina'', antecipou ela.
''Gaijin 2'' foi rodado em Londrina em 2002 e contou com locações em Curitiba, Foz do Iguaçu, Paranaguá, além da cidade de Kobe no Japão. Na capital do Norte paranaense, o set ficou instalado durante nove semanas numa cidade cenográfica montada na Fazenda Santa Helena. A produção foi viabilizada com recursos diversos oriundos de empresas privadas e estatais através das leis de incentivo e isenção fiscal.
Obteve apoio também da Prefeitura Municipal e da comunidade nikkei da região. Mais de dois mil figurantes participaram das filmagens. O elenco reuniu atores de origens diversas, entre eles a atriz japonesa Tamlyn Tomita, o cubano Jorge Perugorria, a canadense Nobu McCarthy (que morreu durante as filmagens, aos 67 anos) e os brasileiros Luis Melo, Mariana Ximenez, Louise Cardoso e Zezé Polessa.
Orçado em R$ 10.632.890,32 milhões, o filme é a continuação de ''Gaijin - Os Caminhos da Liberdade'', que consagrou a diretora ao aliar sucesso de bilheteria e recepção positiva da crítica. O primeiro longa chegou a vencer o Festival de Gramado de 1980, além de conquistar prêmio também no Festival de Havana, em Cuba. A segunda parte da saga recebeu o subtítulo ''Ame-me como Sou'', nome da canção-tema de autoria do cantor e compositor cubano Pablo Milanez.
A cineasta revela que pensou originalmente em convidar Gilberto Gil ou Caetano Veloso para compor a música. ''Mas nenhum dos dois estava disponível'', lembra. ''Na época, o Gil estava assumindo o Ministério (da Cultura) e o Caetano estava em turnê. Aí o Egberto Gismonti indicou o Pablo Milanez. Fiquei intrigada e resolvi entrar num site para ouvir suas músicas. Quando ouvi 'Ame-me como Sou'', na voz de Gal Costa, fui conquistada. Decidi ir até lá falar com ele porque é difícil fazer contato com Cuba. Na época, ele encontrava-se amargurado por causa da separação da mulher. Estava há sete meses sem cantar. Mas ele apareceu e cantou. Tinha um monte de gente, o Gabriel Garcia Marquez, a Cássia Kiss... Foi emocionante''.
Com exceção da música-tema, a trilha sonora do longa traz a assinatura de Gismonti. Tizuka lembra que quando estava na fase de finalização do filme, notou que uma cena exigia a sonorização de uma orquestra. Tentou em vão requisitar a colaboração das sinfônicas de Brasília e do Rio de Janeiro. ''De repente, o Egberto mostrou algumas composições suas e vi que era exatamente o que eu queria. Fomos garimpando e experimentando músicas já prontas e juntando com as que ele gravou exclusivamente para a trilha. A obra dele tem de tudo, tem épico, tem tudo'', diz a entusiasta.
O projeto de ''Gaijin 2 Ama-me como Sou'' nasceu em 1996 por sugestão de Kyoko Tsukamoto, atriz de ''Gaijin'', que se tornou empresária e propôs a continuação a Tizuka, que estava em Tóquio. A insistência da amiga a fez arquivar o ranço de não trabalhar mais com o tema da imigração. ''Não queria ser estigmatizada e acabei partindo para outros projetos. Mas Kyoko me convenceu a mudar de idéia'' assinala.
O novo longa retrata quatro gerações. Se o primeiro título retratava o desembarque e a dura vida dos imigrantes japoneses nas lavouras, a continuação pretende mostrar a vida dos descendentes já integrados à sociedade brasileira estendendo o foco aos dekasseguis os descendentes que vão ao Japão com o objetivo de trabalhar, juntar dinheiro e voltar em melhores condições financeiras.
''É um filme sobre famílias, sobre a importância de valorizar e não renegar as origens. Ele trata do presente, mas volta ao passado, volta 100 anos na história indo mais longe até que o Gaijin 1'', salienta. Em maio passado, a diretora exibiu a nova produção no Japão coincidindo com a viagem de Lula e sua comitiva ao oriente.
''Lá, fizemos duas sessões de Gaijin 2, uma em Tóquio e outra em Nagóia'', conta. ''Uma platéia era composta por políticos, acadêmicos e comerciantes. Havia cerca de 300 pessoas. No final, todos aplaudiram de pé. A outra platéia era formada por ex-dekasseguis, que também amaram o filme. Um crítico escreveu que ele recuperava o DNA que havia sido perdido pelo povo japonês. Um outro assinalou que há muitos anos não assistia um filme com tanta energia. Encontrei o Lula e ele disse que ficou muito emocionado ao ver o filme. Lembrou de sua própria trajetória declarando que sabe como é a vida de migrante''.
''Gaijin 2'' foi mostrado ainda em São Paulo numa exibição fechada para os parceiros investidores da produção. Todos gostaram. ''Essas sessões balizam se o filme está pegando ou não. Mas o que vai valer mesmo é o circuito comercial. Cinema é impalpável. Se não agradar ao grande público, dança'' argumenta. O filme chegará as salas com 120 cópias, distribuído pela Globo Filmes. Tem 2 horas e 15 minutos de duração.
Se o lançamento comercial está previsto para o dia 2 de setembro, ela planeja uma pré-estréia para os pioneiros de Londrina e região. ''Uma homenagem'' diz ela ''para quem viveu essa história''.


