CINEMA - Elektra, aliás Jennifer
PUBLICAÇÃO
sábado, 22 de janeiro de 2005
Carlos Eduardo Lourenço Jorge<br> Especial para Folha 2 
A alta cúpula da Fox deve ter amado com tal intensidade a garota Elektra no fracassado ''O Demolidor'' que decidiu consagrar à curvilínea personagem um filme inteiro, dando a ela o privilégio do título personalizado. ''Elektra'', que coloca em primeiríssimo plano a escultural Jennifer Garner (do seriado televisivo ''Alias''), está em lançamento no circuito nacional - confira a programação de cinema na página 2 .
Evidentemente o filme tem como endereço preferencial o respeitável núcleo de fanáticos das HQ americanas. E são estes fãs que afinal têm a responsabilidade maior de julgar a adaptação feita pelo diretor Rob Bowman, alguém com intimidade no trato das coisas fantásticas - por longo tempo trafegando pela série Arquivo X e mais recentemente assinando um certo ''Reino de Fogo'', filme curioso que, no entanto, não encontrou seu melhor público.
Elektra, o espectador logo vai ser informado, não teve infância fácil e se tornou uma espécie de assassina profissional graças a dons físicos e psíquicos peculiares. Sem maiores explicações, ela é contratada para matar um certo homem e a filha dele, de 13 anos. Elektra fica sabendo que sua vítima, o pai, não deve nada a ninguém, mas a garota, aparentemente normal, é dotada de grandes poderes. A heroína toma as dores. Em cena, vilões asiáticos e seus zumbis ninjas.
Aqueles que nada conhecem do personagem e de seu universo verão em ''Elektra'' um pequeno filme de ação, com kung fu, armas, belas garotas e um quase nada de profundidade psicológica, um filme vagamente divertido que mais ou menos faz lembrar uma história em quadrinhos. Pode-se creditar a Bowman e seus roteiristas o mérito da tentativa de fazer um filme de ação inteligente, com personagens mais ou menos construídos.
Na série recente de adaptações de HQ para o cinema, ''Elektra'' não é o desastre de ''Catwoman''. É um filme até que bem feito, sobressaindo suas boas intenções - embora nem sempre concretizadas. O look é sombrio, lúgubre, respeitando as origens. E seja em que circunstância for, é sempre bom rever o velho e bom Terence Stamp, no mesmo patamar indispensável de gente como o inquietante Christopher Walken e o suave Udo Kier, respeitável trio de atores intensos e magnéticos.


