CINEMA - 'Diários de Motocicleta' leva Oscar europeu
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quarta-feira, 16 de fevereiro de 2005
Carlos eduardo Lourenço Jorge<br> Especial para Folha 2 
O filme ''Diários de Motocicleta'' saiu vencedor em duas categorias no BAFTA, o Oscar europeu. A produção foi premiada como Melhor Filme Estrangeiro e Melhor Trilha Sonora. O filme concorria em sete categorias. Walter Salles recebeu o prêmio ao lado dos produtores, dos atores Gael García Bernal e Rodrigo de la Serna, do diretor de fotografia Eric Gautier, do compositor Gustavo Santaolala e do roteirista José Rivero.
Essa é a segunda vez que o diretor Walter Salles é premiado no BAFTA (''Central do Brasil'' ganhou em 1999), e é a terceira indicação consecutiva (''Abril Despedaçado'' também foi indicado em 2002). Walter retornou a Berlim, onde está conduzindo a oficina Talent Campus para estudantes de cinema, durante uma semana, no Festival de Berlim. De lá ele comentou mais esta premiação:
''O BAFTA tem um sabor especial, porque cada um dos 400 filmes que estréiam por ano na Inglaterra pode concorrer ao prêmio da Academia Britânica. Em outras palavras, o processo é muito mais democrático do que aquele que rege a seleção pelo filme estrangeiro no Oscar, por exemplo. Por outro lado, os dois prêmios recebidos no BAFTA, somados às sete indicações que o filme teve e ao prêmio de Melhor Filme Estrangeiro do ano outorgado há dois dias pela Associação de Críticos Cinematográficos de Londres mostram que a Europa em geral e a Inglaterra em particular estão cada vez mais sensíveis ao cinema independente latino-americano''.
''Diários'' acaba de chegar a 10 milhões de espectadores, algo que só foi possível graças ao boca a boca originado em festivais - de Sundance a Edinburg, de Cannes ao primeiro Festival de Cinema de Ramalah. Foram mais de 40 festivais e mais de 100 debates em torno do filme. Nada disso teria acontecido se a família Guevara e Alberto Granado não tivessem acreditado no projeto e em todos nós que queríamos fazer ''Diários de Motocicleta''. Graças a eles, avançamos com total liberdade. Gostaríamos de dedicar os prêmios recebidos nessa semana às famílias Guevara e Granado e a esses dois jovens que partiram em 1952 para desvendar a realidade política e social da América Latina.
O que os jovens Ernesto e Alberto mostraram na sua viagem iniciática através do continente é que o outro, aquele que vive além das fronteiras que conhecemos, não deve ser visto como uma ameaça, não é diferente de nós. É esse espírito, que vai na contramão daquilo que dita a política externa norte-americana, que foi premiado nos BAFTAs''.


