CINEMA - Brasil concorre à Palma de Ouro
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quarta-feira, 21 de abril de 2004
Carlos Eduardo Lourenço Jorge<br> Especial para a Folha 2 
Diversidade. Estética, temática, de gêneros. Esta parece a tônica dominante da seleção oficial da 57 edição do Festival de Cannes, anunciada ontem durante coletiva em Paris. O mais importante certame cinematográfico do mundo (12 a 23 de maio), porém, destacou na competição as cinematografias orientais, reafirmando uma tendência que o diretor artístico da mostra, Thierry Frémoux, vem enfatizando desde 2001: a de que o foco não só de Cannes mas dos outros grandes festivais continua particularmente direcionado para a Ásia. E a organização também parece apostar na renovação, ao manifestar ''o desejo de inscrever novos nomes na carta do cinema mundial''.
Este ano os candidatos à Palma de Ouro são em menor número, apenas 18 contra os habituais 20 ou até 23 em edições passadas. Entre eles, dois representam a América Latina: ''Os Diários da Motocicleta'', do brasileiro Walter Salles (sobre uma viagem iniciática de Che Guevara pelo continente sul-americano, há 50 anos) e o argentino ''La NiÀa Santa'', de Lucrecia Martel. Os europeus são três franceses, um italiano, um alemão (o país volta a competir em Cannes depois de 11 anos), um inglês e um bósnio. Os americanos comparecem com três candidatos. Os outros seis vêm de países do Oriente: dois japoneses, dois da Coréia do Sul, um da China e um da Tailândia.
Mas o Brasil não leva a Cannes apenas o filme de Salles, que estréia comercialmente no circuito nacional no dia 7 de maio, uma semana antes da exibição em Cannes. Em programação paralela, o documentarista Silvio Tendler apresenta ''Glauber O Filme - Labirinto do Brasil''. E concorrendo à Palma de Ouro na categoria curta metragem, Erik Rocha vai mostrar ''Quimera''. Lembrando que Glauber Rocha, pai do cineasta, é um dos homenageados na mostra dedicada aos 40 anos do movimento Cinema Novo, que projetou de vez o Brasil no cenário cinematográfico internacional a partir de 1964, ''Deus e o Diabo na Terra do Sol'' e ''Terra em Transe'' estão nesta programação especial.
Entre os títulos mais aguardados da competição figuram ''2046'', do chinês Wong Kar-Wai (''Amor à Flor da Pele''); ''A Vida é Um Milagre'', do bósnio Emir Kusturica, duas vezes Palma de Ouro; ''The Ladykillers'', dos irmãos Coen, e o novo capítulo da cruzada do ativista Michael Moore, o documentário ''Fahrenheit, 9/11''. Na abertura oficial, ''La Mala Educación'', de Pedro Almodóvar. E no encerramento, ''De-Lovely'', musical de Irwin Winkler, celebrando os 80 anos da Metro. Ambos fora de concurso. Nomes notáveis como Abbas Kiarostami, Jean-Luc Godard, Zhang Yimou, Quentin Tarantino terão seus novos filmes exibidos ou em sessões especiais ou em ''Un Certain Regard'', a principal seção paralela do Festival.
A exemplo do ano passado, quando a guerra do Iraque e a gripe asiática quase comprometeram o Festival de Cannes, agora são os 100 mil trabalhadores da área técnica de espetáculos que fazem uma greve capaz de ameaçar grandes eventos como Cannes. Semana passada, em Paris, os grevistas conseguiram inviabilizar a cerimônia de entrega do Prêmio Molière aos melhores do teatro francês.


