Listas de filmes, melhores disto, piores daquilo, estatísticas, números, cifras, percentuais. A partir de um critério comum, os norte-americanos estão sempre a elaborar relações de filmes. Há pouco tempo, e quase simultaneamente, vieram a publico duas novas manifestações. Ambas curiosas e merecedoras de consideração.
A sempre autorizada revista Entertainment Weekly divulgou os 25 longas- metragens mais controvertidos de todos os tempos, segundo avaliação de seu corpo de especialistas. E a predominância foi de temas religiosos, com o primeiro lugar preenchido por ''A Paixão de Cristo'', de Mel Gibson, enquanto ''A Última Tentação de Cristo'', de Martin Scorsese, e ''O Código Da Vinci'', de Ron Howard, aparecem em posições relevantes.
Por outro lado, a ênfase espiritual marca a fogo a lista correspondente do American Film Institute (AFI), a mais reconhecida instituição dos Estados Unidos consagrada a zelar pelo patrimônio cinematográfico. Desta vez, o AFI, a partir do veredito de 1.500 artistas, historiadores e estudiosos, elegeu os 100 filmes americanos mais positivos e inspiradores da história, aqueles filmes que - como observou o diário espanhol ABC ao comentar o fato - ''souberam transmitir melhor os valores humanos''. À frente de todos aparece ''A Felicidade Não se Compra'', de Frank Capra, no qual a intervenção celestial abre uma segunda oportunidade na vida de George Bailey, interpretado por James Stewart.
''Estimulado por sua profunda fé católica, Mel Gibson quis apresentar uma inquebrantável descrição do sofrimento de Cristo, em nome de toda a humanidade. Entretanto, o que conseguiu foi estimular uma guerra cultural que não encontra antecedentes em Hollywood''. Assim o semanário ''Entertainment Weekly'' justifica a inclusão de ''A Paixão de Cristo'' como o campeão dos filmes mais controvertidos da história''.
''Laranja Mecânica'', de Stanley Kubrick, aparece em segundo lugar, e a revista destaca, entre todas as controvérsias contidas no filme, a violenta sequência ao som do tema que dá título ao musical ''Dançando Na Chuva''. De resto, enquanto Oliver Stone é o único a constar da lista com dois títulos (''JFK'' em quinto e ''Assassinos por Natureza'' em oitavo), deve-se mencionar a inclusão, em décimo-terceiro lugar, de ''O Código Da Vinci'', e em décimo-sexto de ''Vôo 93''. A menção deste se justificou a partir dos temores de que a abordagem descritiva de fato tão recente e traumático poderia causar mal estar na população ainda sob o efeito do terror de 11 de setembro de 2001.
Quanto à lista oferecida pelo AFI, seu diretor, Jean Picker Firstenberg, disse que a iniciativa está vinculada à necessidade de conhecer a maneira pela qual os filmes ''insuflam sentimentos positivos em momentos emocionalmente fortes como os que vive os Estados Unidos, com a ameaça terrorista, a guerra do Iraque e devastações naturais como o furacão Katrina''. Não é de admirar, portanto, que um filme tão ostensivamente otimista como o citado ''A Felicidade Não se Compra'' apareça liderando a pesquisa como o título mais representativo em todos os tempos.

Os dez mais ''positivos'', do American Film Institute
- A Felicidade Não se Compra, de Frank Capra, 1946
- O Sol é Para Todos, de Robert Mulligan, 1962
- A Lista de Schindler, de Steven Spielberg, 1993
- Rocky, Um Lutador, de John G. Avildsen, 1976
- A Mulher Faz o Homem, de F. Capra, 1939
- E.T, o Extraterrestre, de S. Spielberg, 1982
- Vinhas da Ira, de John Ford, 1940
- O Vencedor, de Peter Yates, 1979
- De Ilusão Também se Vive, de George Seaton, 1947
- O Resgate do Soldado Ryan, de S. Spielberg, 1998

Os dez mais ''controvertidos'', da Entertainment Weekly
- A Paixão de Cristo, de Mel Gibson, 2004
- Laranja Mecânica, de Stanley Kubrick, 1971
- Fahrenheit 9/11, de Michael Moore, 2005
- Garganta Profunda, de Gerard Damiano, 1972
- JFK, a Pergunta que Não Quer Calar, de Oliver Stone, 1991
- A Ultima Tentação de Cristo , de Martin Scorsese, 1988
- O Nascimento de Uma Nação, de David Wark Griffith, 1915
- Assassinos por Natureza, de O. Stone, 1994
- Ultimo Tango em Paris, de Bernardo Bertolucci, 1972
- Baby Doll, Boneca de Carne, de Elia Kazan, 1956

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