CINEMA - Apenas uma comédia digerível
PUBLICAÇÃO
domingo, 08 de janeiro de 2006
Katia Michelle Pires<br> Equipe da Folha 
Curitiba À primeira vista, pode parecer mais uma comédia americana: um casal em crise troca de corpos depois de um inexplicável fenômeno cósmico. Ele, publicitário, em meio a uma decisiva entrega de campanha. Ela, musicista, nos dias que antecedem a apresentação do coral de crianças que rege. A confusão aumenta quando ambos têm que conviver com as agruras do sexo oposto. Uma pitada de estereótipos, piadas machistas e feministas e está pronto o roteiro de ''E Se eu Fosse Você'' (veja programação de cinema nesta página). Mas não, não se trata de um lançamento hollywoodiano e sim do mais novo empreendimento do veterano Daniel Filho, com Glória Pires e Tony Ramos no elenco.
Deixando de lado o roteiro previsível, é possível dar boas (mas poucas) risadas com o casal de protagonistas. Os dois, como o espectador pode ver na atual novela ''Belíssima'', têm grande afinidade na tela. E no cinema não é diferente. Cláudio está prestes a fazer 50 anos e Helena tem 40. Eles têm uma filha adolescente e uma vida de classe média alta com problemas nem tão complicados assim. Até que uma adversidade etérea faz com que os dois acordem com os corpos trocados.
Cláudio, que está no corpo de Helena, tem que aprender a difícil tarefa de andar de salto alto e se comportar bem. Helena, no corpo de Cláudio, tem que enfrentar as piadas machistas dos amigos do marido e, o pior, agir como eles. No meio dessa confusão, os dois vão precisar se entender para concluir as tarefas de cada um, sendo o outro. O filme tem ainda a participação de Thiago Lacerda, como sócio de Cláudio, Glória Menezes, interpretando a mãe autoritária de Helena, Daniele Winits e Lavínia Vlasak .
A idéia do roteiro, assinado por Filho em parceria com Adriana Falcão, Renê Belmonte e Carlos Gregório, é dar a resposta para quem não cansa de conjecturar, na vida real ''Ah, se eu fosse você...''. O filme, no entanto, não se arrisca ao discutir questões filosóficas ou psicológicas mais profundas do ser humano e limita-se na abordagem rasa e superficial dos sexos. Uma comédia digerível apenas e é possível que o espectador mais exigente tenha vontade de questionar, depois de ver o filme,''ah se eu fosse o Daniel Filho...''


