Curitiba - Quando tinha sete anos, João Mário Alves dos Santos, hoje conhecido como Jota Eme, escutava com a avó todo o repertório de Roberto Carlos. Ao lado dos LPs do Rei, figuravam ainda títulos de Elvis Presley, Beatles e outras majestades cujas músicas o garoto não se limitava a escutar. Ele também colocava o disco na vitrola e ia lentamente levantando a agulha para copiar todas as letras. E numa homenagem a um dos compositores que contribuíram para a sua formação musical, ele escreveu o roteiro e dirigiu o média-metragem ''O Dia Em Que Morreu Roberto Carlos'', que será exibido hoje no Teatro Guaíra, em Curitiba.
O filme conta a história de Erasmo Carlos e Wanderléia, homônimos aos cantores que ajudaram a fazer a história da música brasileira. Ou de pelo menos parte dela. No dia do aniversário de Erasmo, interpretado pelo ator Breno Reis, ele recebe a notícia de que Roberto Carlos morreu. Começa então uma série de homenagens ao Rei, protagonizadas por 14 bandas curitibanas. Cada uma delas fez novos arranjos para músicas do compositor. Para gravá-las, o diretor montou um palco na Rua Paula Gomes, em frente ao Bar do Torto, onde se passam também algumas cenas do filme. ''Foi uma das passagens mais bacanas. Acho que tinha umas mil pessoas durante as gravações'', comemora o diretor.
Entre os grupos que participaram estão a banda Gato Preto, Ovos Presley, Cine Ritz, além da cantora Íria Braga, que interpretam dezenas de músicas do Rei. As filmagen começaram em abril deste ano e o filme foi finalizado com recursos próprios, além de apoio de simpatizantes que emprestaram equipamentos , cenário e materiais diversos utilizados nas gravações. Jota Eme calcula que se tivesse que arcar com os custos da obra, o investimento seria pouco mais de R$ 50 mil.
''O Dia Em Que Morreu Roberto Carlos'' é o segundo filme do diretor, que começou a carreira no teatro. O primeiro, lançado no ano passado, foi ''Dez Anos Sem Um Gole'', uma homenagem a Charles Bukowski. O trabalho atual, que tem inspiração na formação musical do diretor, foi originalmente escrito para ser um espetáculo teatral. ''Mas pensei: por que não fazer um filme, que dure para sempre?'', argumenta.
O filme tem direção de fotografia de Mauro Braita e Marcos Sabóia. Além de Breno Reis, como Erasmo Carlos, integram o elenco Thaís Glowacki, Arlindo Ventura, Geraldo Pioli, Mali, Ewaldo Scheleder e participação especial de Paulo José Friebe. O filme tem única exibição hoje. No dia 27 será exibido na Cinemateca de Curitiba e, em dezembro, na Biblioteca Pública do Paraná antes de ser inscrito em festivais.

Serviço:
- ''O dia em que morreu Roberto Carlos'', exibição hoje às 20 horas, no Auditório Salvador de Ferrante (Guairinha). Ingressos a R$ 5,00.

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