CINEMA - A coreografia de uma vida triste
PUBLICAÇÃO
sábado, 12 de março de 2005
Katia Michelle Pires<br> Equipe da Folha 
Curitiba - Aos nove anos ele começou a carreira, em Varsóvia, onde nasceu. Aos 16, foi para Paris estudar com Brosnilava Nijinski. Aos 20 anos, o bailarino Yurek Shabelewski já era conhecido mundialmente. Além de estudar com os maiores nomes da dança na época e protagonizar balés de companhias conceituadas em todo o mundo, Shabelewski chegou a ter aulas de cenografia com Pablo Picasso. A coleção de nomes importantes com quem trabalhou, no entanto, e o conhecimento ímpar sobre a sua arte, não impediu que o bailarino polonês terminasse seus dias em um hotel barato em Curitiba, vivendo com uma mísera pensão para aposentados. A história do dançarino virou documentário, assinado pelo diretor paranaense Nivaldo Lopes. O curta-metragem de 17 minutos estréia na próxima terça-feira, na Cinemateca de Curitiba.
Lopes, mais conhecido como ''Palito'', alimentava a idéia de filmar a comovente trajetória do bailarino polonês há pelo menos uma década, mas somente no ano passado a produção foi possível, por meio da Lei Municipal de Incentivo à Cultura. O bailarino veio ao Brasil pela primeira vez no início da década de 40, voltou nos anos seguintes com vários espetáculos e em 1971 mudou-se definitivamente para Curitiba, onde trabalhau no Corpo de Baile do Teatro Guaíra. Na companhia curitibana exerceu as funções de maitre, coreógrafo, diretor e professor do Curso de Danças Clássicas da instituição.
Em cinco anos à frente do Ballet Guaíra, Shabelewski montou 13 espetáculos e assinou 11 das coreografias. Entre elas ''Suite Coppélia'', ''O Mandarim Maravilhoso'' e ''Mosaico''. Depois de sair da companhia, o bailarino continuou morando em Curitiba, numa pensão atrás do Teatro Guaíra, na Rua Tibagi, no centro da cidade. Ele morreu em dezembro de 1993, aos 83 anos. ''Eu o conheci nessa pensão. Ele estava vivendo na miséria. Foi uma coisa triste e que já naquela época me despertou'', conta o diretor do documentário.
Lopes ressalta que se trata de um ''documentário-ficção'', onde ele mescla imagens de arquivo do bailarino com cenas imaginárias. As imagens de Shabelewski atuando foram encontradas no Museu da Imagen do Som da Austrália. Já as situações fictícias foram filmadas em 35 mm, em Curitiba, com o ator Sinval Martins interpretando o bailarino polonês.
Antes de morar no Brasil, Shabelewski criou coreografias para o Ballet de Teatro Sodre, de Montevidéu (Uruguai), onde ficou de 1965 a 1967. Em 1969 ele chegou a trabalhar com o grupo de dança da Universidade Federal da Bahia e no ano seguinte, coreografou para o corpo de baile do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. Com o Ballet Guaíra, ele assinou as coreografias ''Luz e Paixões Rebeldes'', de Bach, ''Mosaicos de Marlos Nobre'' (este último fez parte das festividades de inauguração do grande auditório, em 1974, em estréia nacional), ''Copélia de Delibes'', a peça ''Troimpet de Aldo Calvet'', ''Danças Ciganas'' de Glasinov; ''Griffon Triunfante'' (com música do compositor brasileiro Rinaldo Rossi), ''Fantasia Brasileira'', sobre a música de Francisco Mignone e ''Mandarim Maravilhoso'' com música de Bela Bartok.
Para levar a história do bailarino para a tela, Nivaldo Lopes escalou atores curitibanos. Fazem parte do elenco, além de Sinval Martins, Ana Paula Camargo, Ary Coelho, Claudete Pereira Jorge, Daniel Camargo, Débora Leivas, Ed, Jorge Schneider, Marcinho e Priscila Lacerda. O filme foi rodado com orçamento de R$ 70 mil e depois da estréia, que acontece na Cinemateca de Curitiba, o diretor pretende inscrever o trabalhos em festivais nacionais e internacionais.
Serviço:
- Estréia do documentário ''Shabelewski'', na terça-feira (15 de março), às 20 horas, na Cinemateca de Curitiba (Rua Carlos Cavalcanti, 1174).


