Quando o cartunista Angeli decidiu ''matar'' a personagem ''Rê Bordosa'', a notícia parecia se referir a uma celebridade do mundo real, tal a repercussão que o gesto obteve entre os leitores de suas tiras diárias.
O premiado curta de animação ''Dossiê Rê Bordosa'' (2008), de César Cabral, narra a história desse ''crime'' tentando desvendar as razões que levaram o cartunista a assassinar uma de suas mais famosas criações e uma das figuras mais populares do quadrinho nacional.
O filme será exibido hoje na Sala de Espetáculos do Sesc Londrina, como parte do projeto ''Cinedocumenta - Documentário e Animação'', que traz também outra produção premiada, o curta ''Divino, De Repente'' (2009), de Fábio Yamaji. A sessão começa às 21 horas, com entrada gratuita. O diretor de ''Dossiê Rê Bordosa'' estará presente para um bate-papo com o público.
A personagem marcou época. Louca e despachada, tornou-se um ícone pop dos anos 80 por retratar um estilo de comportamento da boêmia das grandes cidades. O curta utiliza a técnica stop-motion (animação com bonecos, objetos, massinhas, entre outros) pela qual ocorre uma reprodução de 24 imagens por segundo, tempo suficiente para a permanência retiniana.
A narrativa é investigativa e os perfis do ''assassino'' e da ''vítima'' são construídos ao longo do filme com base em depoimentos, imagens de arquivo e reconstituições do crime. Daí sua inclusão no projeto ''Cinedocumenta'', cuja proposta é norteada pela diversidade do documentarismo contemporâneo ao abrigar produções que transmitem histórias ou ideias lançando mão de técnicas variadas (incluindo a animação) para levar o conhecimento ao público.
Em ''Divino, De repente'', Fábio Yamaji mistura animação e documentário a fim de revelar a trajetória e o talento do artista popular Ubiraci Crispin de Freitas, o ''Divino'', que nasceu em Goiás, cresceu na Paraíba e se mudou para São Paulo. O cineasta se vale tanto do cancioneiro repentista, quanto do próprio carisma de seu personagem. A cada novo repente, as palavras e o ritmo do homenageado se transformam em desenhos que inundam a tela.
O espectador assiste, em pouco mais de seis minutos, o uso de desenhos a mão, rotoscopia, stop motion e pixilation. O filme foi premiado em 2009 como melhor animação pelo voto popular no festival internacional Anima Mundi.
Serviço
- Cinedocumenta
Quando - Hoje, 21h
Onde - Sala de Espetáculos do Sesc Londrina (Rua Fernando de Noronha, 264)

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