Cineastas de batom
Cineastas de batom
Nova geração de mulheres
cineastas se junta a
veteranas como Norma
Bengell, Tizuka Yamasaki
e Gabriela Morales
Arquivo FolhaGabriela Alves estréia como diretora e roteirista no filme Te TangoAgência Estado
A safra mais recente de filmes brasileiros tem revelado uma nova geração de mulheres cineastas, como Cláudia Ohana, Florinda Bolkan, Kate Lyra e Elianne Caffé. Outra brasileira, a atriz Gabriela Alves, também optou pela produção e direção, mas nos Estados Unidos, onde está terminando de rodar o filme Te Tango. Elas se juntam, assim, a Ana Carolina, Normal Bengell, Sandra Werneck, Carla Camuratti, Monique Gardenberg, Tizuka Yamasaki e Tata Amaral, entre outras. Dos 120 projetos de longas-metragens em diversas fases de realização, 25 são assinados por diretoras.
A atriz Cláudia Ohana produzirá e atuará como a protagonista de Anita Garibaldi (título provisório) e está na fase de fechamento de patrocínios. As filmagens deverão começar em maio de 99, no Rio Grande do Sul. Fiquei encantada com a história de Anita e Giuseppe Garibaldi, comenta, declarando-se apaixonada pela saga da heroína catarinense que viveu um alucinado romance com o revolucionário italiano. Cláudia começou a fazer cinema aos 15 anos e atuou em vários filmes no exterior. Agora, preparando-se para trabalhar do outro lado das câmeras, ela admite que a tarefa será árdua, mas acredita num resultado gratificante.
A cearense Florinda Bolkan teve sua carreira de atriz construída praticamente no exterior, mais especialmente na Itália (ela mora em Roma há mais de 30 anos), e realiza um velho sonho ao assinar seu nome também como cineasta, trazendo na bagagem a experiência de trabalhos com diretores como Vittorio De Sica, Elio Petri e Luchino Visconti.
Arquivo FolhaCláudia Ohana produzirá e atuará como a protagonista de Anita GaribaldiEu Não Conhecia Tururu, o primeiro filme em que atua como diretora, foi escrito por ela, Orlando Senna e Maria Zilda Bethlen, e começou a ser rodado em junho no Ceará. Além de dirigir, ela e Maria Zilda trabalharão no filme, que tem um elenco predominantemente feminino - Suzana Gonçalves e Ingra Liberato completam o quarteto de protagonistas.
O filme fala do reencontro de quatro irmãs que não se viam há muito tempo e se reúnem em sua terra natal. A estréia como diretora não preocupa Florinda, que atuou recentemente no filme Bela Donna, de Fábio Barreto. Sei que num trabalho desses surgem imprevistos, mas o imprevisto faz parte da minha vida, comenta. Também confio na experiência acumulada em mais de 30 anos como atriz. Ela espera terminar o filme até dezembro.
A norte-americana Kate Lyra, que marcou época num humorístico de tevê ao criar o bordão Brasileiro é tão bonzinho..., também busca patrocínio para rodar o filme O Tempo da Bossa Nova. Ela pretende fazer um documentário sobre essa fase da MPB inaugurada há 40 anos. Além de contar com a experiência adquirida em cursos de roteiro feitos nos Estados Unidos, Kate conta com o valioso apoio do marido, o compositor Carlos Lyra.
A paulista Elianne Caffé, estreante no longa-metragem, tem projetos ambiciosos para seu filme Kenoma, ambientado no Vale do Jequitinhonha, região economicamente pobre de Minas Gerais. Ela recebeu convite para mostrar o filme no Festival de Cinema de Veneza, que começa quinta-feira. Kenoma conta a história do jovem Jonas (Enrique Diaz), que chega à cidade imaginária de Kenoma e conhece Lineu (José Dumont), um obcecado construtor de máquinas, para quem começa a trabalhar e acaba se apaixonando por Tair (Mariana Lima). Lineu é chamado por Jerônimo (Jonas Bloch) para consertar um moinho de vento e acaba tendo a idéia de transformá-lo num aparelho de moto contínuo.
A idéia do filme - cujo título foi tirado de uma palavra grega que designa o vazio que antecede o momento da criação - surgiu na Espanha, onde Elianne estudou no Instituto de Estética e Teoria das Artes de Madri. O roteiro foi escrito em parceria com Luiz Alberto de Abreu, autor de O Livro de Jó. O
filme estréia sexta-feira em São Paulo, Rio e Belo Horizonte, ao mesmo tempo em que estiver sendo exibido em Veneza, na Itália.
A arte da direção também seduziu Gabriela Alves, a advogada Érika da novela Estrela de Fogo, da Record. Depois de estudar cinema na New York Film Academy, ela prepara sua estréia oficial como diretora e roteirista do filme Te Tango. Segundo a atriz, a inspiração para escrever a história sobre um bailarino de tango surgiu quando ela ouviu a trilha sonora de O Carteiro e o Poeta. Antes disso, ela fez um curta, Sound & Track, na Trilha do Amor, comédia romântica com toques de documentário. Foi meu trabalho de conclusão de curso, conta. mas a estréia em longa será com Te Tango.
Colaboraram Luiz Zanin Oricchio e Cleide Cavalcante





