Cineasta puxa o fio da memória
PUBLICAÇÃO
sábado, 30 de agosto de 2003
Equipe da Folha 
Curitiba - O cineasta Fernando Severo nem bem colhe os louros dos seus dois mais recentes trabalhos o média-metragem ''Paisagem de Meninos'' e o documentário ''Visionários'', ambos premiados no 31º Festival de Gramado e já prepara um novo filme que promete mexer com a memória dos brasileiros. Trata-se de um documentário com o título provisório de FAB 2068, que resgata a história de um dos maiores acidentes aéreos militares da aviação nacional, ocorrido na década de 60.
O avião partiu de Belém em junho de 1967 para, segundo divulgado na época, prestar socorro ao destacamento de Cachimbo (na região da Amazônia), que estaria ameaçado por índios. A missão levava ao todo 27 militares, incluindo quatro tripulantes e era considerada de emergência. Problemas na aeronave e condições climáticas desfavoráveis, no entanto, fizeram com que o avião caísse na mata. Apenas cinco pessoas sobreviveram ao acidente, mas elas demoraram para ser encontradas e passaram dias sem comida, água ou remédios.
Durante quinze dias, foi realizado uma intensa atividade de buscas, com 140 missões aéreas, a participação de 136 tripulantes, 12 equipes médicas, 43 homens trabalhando em terra e 27 paraquedistas. Ao todo foram engajados 250 homens na tentativa de resgatar o avião desaparecido. Foi uma das maiores buscas até então realizadas no mundo.
A história é contada no documentário de Severo através das memórias de quatro dos cinco sobreviventes (um deles não foi encontrado). ''A novidade é que o documentário vai revelar uma versão da missão da aeronave que ainda não tinha sido divulgada'', conta Severo. Segundo ele, a ajuda para o destacamento de Cachimbo foi um pretexto para uma missão bem maior, que será divulgada pelo documentário.
A idéia original do trabalho é dos produtores Eduardo Sigaud e Marcos Mirtes, que convidaram Severo para direção. As imagens já foram captadas e resultaram em mais de 40 horas de imagens digitais. A meta é fazer um documentário para a televisão e a previsão de lançamento se o documentário não sofrer a mesma síndrome de outras produções paranaenses é para o final deste ano.(K.M.P.)


