Surgida na Itália no fim do século 17, a ópera-bufa tinha como objetivo divertir o público com temas jocosos. Tavez, por isso, Carla Camurati define ‘‘La Serva Padrona’’ como um ‘‘Sai de Baixo’’ setecentista. A trama gira em torno das armações de Serpina, uma criada educada pelo patrão Uberto. Na flor da idade, ela se apaixona por ele que resiste aos seus caprichos. Mas com a cumplicidade do criado Vespone, Serpina acaba conseguindo fisgar o patrão. No elenco estão a soprano Sílvia Klein, o baixo José Carlos Leal e o ator Thales Pan Chacon, ex-marido de Carla Camurati, que morreu dois meses depois do término das filmagens.
Para ele, a diretora fez uma homenagem nos créditos finais do filme: ‘‘Thales, meu lindo. Por você, eu tenho no coração o martelinho do amor. Para sempre, Carla’’, escreveu a cineasta repetindo trechos de uma das árias da ópera. ‘‘Não é bem uma homenagem, é um recadinho que eu mandei pra ele’’, corrige Carla Camurati, que prefere não falar sobre a morte do ator. A cineasta escalou para o filme os mesmos atores da peça encenada em Belo Horizonte. ‘‘Foi um desafio porque eles são cantores líricos e não atores. Mas o resultado foi surpreendente’’. afirma a diretora.
Como aconteceu com ‘‘Carlota Joaquina’’, Carla Camurati volta a experimentar um lançamento individual. ‘‘La Serva Padrona’’ chega aos cinemas sem um distribuidor. É ela quem coloca as latas embaixo do braço e vai negociar diretamente com os exibidores. E não tem pressa. ‘‘Carlota começou com quatro cópias e um ano depois estava com 30’’, lembra. ‘‘La Serva Padrona’’ está começando com três cópias. A diretora não quer apostar tudo nas primeiras semanas, pois acredita que o tempo corre ao seu favor e que o boca-a-boca pode ajudar a carreira do filme.
Com segurança, ela diz que não tem a pretensão de repetir o sucesso de ‘‘Carlota Joaquina’’. ‘‘Se pensasse desta forma estaria transformando um sucesso em estigma. Tenho consciência de que este não é o melhor filme da vida de ninguém. Minha intenção foi fazer um filme barato, que não desse prejuízo, mas que ao mesmo tempo fosse algo bem acabado e que divertisse as pessoas’’, afirma Carla Camurati.
(C.M.)

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