Cineasta busca memórias da ditadura na 'pornochanchada'
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quinta-feira, 23 de março de 2017
France Presse 

Toulouse - A cineasta brasileira Fernanda Pessoa disputa este ano o prêmio de melhor documentário no Festival Cinelatino de Toulouse que acontece até o dia 26 de março - com "Histórias que nosso cinema (não) contava", uma imersão na pornochanchada, gênero popular durante a ditadura, que esconde traços da memória histórica.
As populares comédias com forte teor sexual que encheram os cinemas brasileiros na década de 1970, durante a ditadura, podem ajudar a entender a história atual? Para Pessoa, a cultura de massas é um diálogo com a memória.
"Com meu filme, o que proponho é repensar a história do Brasil. Pois acredito que há coisas que, embora não concorde, devo conhecer", disse.
O Festival Cinelatino explicou em sua programação que a pornochanchada é um neologismo que mistura o pornô com a "chanchada", termo com o qual ficou conhecida a comédia picaresca. Durante a ditadura no Brasil, este gênero se tornou uma forma de expressão da crítica ao regime. "Por meio das comédias eróticas que escapavam da censura, as cruéis relações empresariais, a misoginia forçada, o racismo e a violência política passavam pelo filtro como um humor obsceno", explicaram os organizadores do Cinelatino.
Para Fernanda Pessoa, de 30 anos, nasceu depois da volta à democracia, o filme permitiu que entrasse em um período da história que não viveu e o mais difícil foi a violência sexual contra as mulheres, já que as mulheres que participavam dos filmes eram submetidas a assédios e estupros como parte de um produto de entretenimento."Muitas dessas cenas não consegui ver depois da montagem. É muito duro", contou.


