CINE ESCOLA - Despertar para a sétima arte
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terça-feira, 15 de outubro de 2013
Fábio Galão<br>Reportagem Local 
Se o cinema é a mais multidisciplinar das artes, já que reúne elementos de outras (música, dança, teatro, literatura), ele pode se configurar como uma ferramenta que auxilia no processo de educação. É essa ideia que move um projeto desenvolvido com crianças de Ensino Fundamental de Londrina entre o final de setembro e o início de outubro.
Duas escolas municipais da cidade receberam etapas do Cine Escola, realizado pela produtora Buriti Filmes com patrocínio da Fundação Telefônica Vivo e coordenação dos cineastas Luiz Bolognesi e Laís Bodanzky. Na semana passada, o projeto foi desenvolvido na Escola Municipal Haydee Colli Monteiro, no Jardim Paraíso (Zona Norte), e na retrasada, na Reverendo Odilon Gonçalves Nocetti, no Jardim do Sol (Zona Oeste).
O Cine Escola consiste de três frentes: oficina audiovisual, workshop e cine clube. Na oficina na Haydee Colli Monteiro, 50 alunos com idades entre 6 e 11 anos foram divididos em duas turmas, sempre no contraturno escolar, e produziram seis curtas de animação (três por turma), com diferentes técnicas: desenho, bonecos, recorte, pixilation (stop motion com pessoas). "O aluno tem um processo de individualização quando lida com uma manifestação artística, o que aumenta a autoestima", descreveu Marina Santonieri, coordenadora pedagógica do projeto.
As crianças participaram de todas as etapas da confecção dos curtas. "Elas escreveram o roteiro, foram divididas em funções, manipularam equipamentos e montaram cenários e bonecos", explicou a coordenadora.
Apenas na edição os alunos tiveram uma participação menor. "Aprender sobre o processo de edição é complicado até para um adulto, ainda mais no período de apenas uma semana. Mas os alunos acompanharam toda a edição e orientaram para que fosse feita do jeito que eles queriam, da trilha sonora até a fonte dos créditos", disse Marina.
No workshop, os professores da escola foram estimulados a utilizar o audiovisual como plataforma de ensino. "A ideia é agregar essa ferramenta para contribuir no processo de aprendizagem. Por exemplo, ensinar como ocorre o crescimento de uma planta fica mais fácil com a utilização de algum formato audiovisual", afirmou Marina. No cine clube, foram exibidos curtas de animação brasileiros, com sessões voltadas para todos os alunos e professores da escola.
Débora Moreno Pitelli, coordenadora pedagógica na Haydee Colli Monteiro, elogiou a iniciativa e o engajamento de professores, pais e alunos. "Os pais ficaram interessados, se esforçaram para trazer os filhos no contraturno. As crianças ficaram animadas. É benéfico tudo o que a escola puder fazer para ampliar horizontes. Foi muito importante para nós e toda a comunidade termos sido escolhidos para esse projeto", afirmou. Ela acredita que o Cine Escola pode despertar nos alunos a vocação para o cinema. "Alguns estão até falando em produzir os próprios filmes", disse Débora.
Róbson Ximenez da Silva Chagas, de sete anos, era um dos mais empolgados. "Fiz a história e interpretei um vampiro no filme. Eu já tinha feito desenho antes, mas cinema, nunca. Quero fazer mais", relatou. Perguntado se estava ansioso pela "estreia" do seu filme diante dos colegas, Róbson exclamou: "Ô loco!".
Na outra escola londrinense que recebeu o projeto, a Reverendo Odilon Gonçalves Nocetti, a diretora Silvana Aparecida Alves Morais também destacou a importância do projeto para a comunidade escolar. "Foi fantástico. Pudemos perceber o envolvimento dos alunos. Os que participaram da oficina pela manhã chegavam cedinho, empolgados. Teve criança que na sexta-feira (último dia do projeto) disse: 'Descobri o que eu quero fazer na vida. Quero fazer cinema!'", contou a diretora. "É um exercício de cidadania, para formar cidadãos."
O Cine Escola surgiu de uma parceria pedagógica entre os projetos Tela Brasil, criados e coordenados por Bolognesi e Laís Bodanzky, e a produtora Ouroboros, das educadoras Moira Toledo e Marina Santonieri. Marina relatou que o projeto de oficina existe há seis anos, mas no formato Cine Escola começou em 2013. Foram 10 edições em diferentes cidades brasileiras e as etapas de Londrina finalizaram o projeto este ano no Paraná, Curitiba também recebeu a iniciativa. "A ideia é retornar no ano que vem às escolas para dar continuidade e aprofundar o projeto", afirmou Marina.
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