Os frequentadores desavisados que se acostumaram a assistir filmes de curta duração no Bar Valentino, levarão um susto esta semana. É que a sessão de cinema promovida habitualmente na casa pela Kinoarte (Instituto de Cinema e Vídeo de Londrina), vai passar a exibir também longas-metragens.
  A estréia da nova fase, batizada ‘‘Kinoclube’’, será hoje com um clássico do cinema independente norte-americano: ‘‘Faces’’ (1968), do diretor John Cassavetes. ‘‘Nossa proposta é formar público para cinema. Numa primeira etapa, mostramos curtas porque é um formato que não chega ao público das salas tradicionais. Agora vamos exibir longas com o objetivo de aprofundar o gosto desses espectadores’’ – explica Rodrigo Souza Grota, presidente da Kinoarte.
  A linha é a mesma: nada de produções comerciais. O ‘‘Kinoclube’’ funcionará como uma espécie de cine clube itinerante levando à tela clássicos raros indisponíveis no Brasil, além de títulos contemporâneos inéditos no País ou só exibidos em festivais. ‘‘Faces’’, o longa escolhido para abrir o projeto, é um psicodrama que aborda as mazelas do casamento no contexto da classe média norte-americana dos anos 60.
  Rodado em 16mm e em preto-e-branco, foi produzido entre amigos e sem apoio dos grandes estúdios de Hollywood. O elenco contou com John Marley, Gena Rowlands, Lynn Carlin, Seymour Cassel e Fred Draper. O filme – sublinha Grota – tornou-se um clássico da cinematografia moderna por vários motivos. ‘‘As improvisações, uma constante no trabalho de Cassavetes, imprimem uma autenticidade ao filme raramente vista antes no cinema. A fotografia de Al Ruban – granulada e composta unicamente com câmera na mão, repleta de takes com luz estourada (iluminação excessiva, quando comparada à fotografia dos estúdios), trechos fora de foco –, se encaixa perfeitamente na estrutura do filme, compondo uma grande obra em aberto, quase um rascunho, algo raro no cinema até então’’.
  A atuação dos atores também é destacada pelo curador. ‘‘Cassavetes acreditava nos atores como a grande força de um filme’’ – diz. ‘‘Para ele, a fotografia, a montagem e a direção de arte eram aspectos secundários, que deveriam estar sempre subordinados ao trabalho do ator. Tentando descobrir a verdade de cada cena, o diretor chegava a improvisar 13, 14 vezes uma tomada para conseguir expressar uma emoção genuína, que não fosse mecânica. O diretor trabalhava contra a representação. Ele queria a vida, e ‘Faces’ é o mais radical exemplo dessa busca’’. A sessão começa às 21 horas, com entrada franca.


SERVIÇO:

- Hoje: Sessão de cinema ‘‘Kinoclube’’ com a exibição do longa ‘‘Faces’’, de John Cassavetes. Horário: 21 horas. Local: Bar Valentino (Av. Bandeirantes, 61), em Londrina. Entrada franca.

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