Cine Clube itinerante
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quarta-feira, 03 de maio de 2006
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
Os frequentadores desavisados que se acostumaram a assistir filmes de curta duração no Bar Valentino, levarão um susto esta semana. É que a sessão de cinema promovida habitualmente na casa pela Kinoarte (Instituto de Cinema e Vídeo de Londrina), vai passar a exibir também longas-metragens.
A estréia da nova fase, batizada Kinoclube, será hoje com um clássico do cinema independente norte-americano: Faces (1968), do diretor John Cassavetes. Nossa proposta é formar público para cinema. Numa primeira etapa, mostramos curtas porque é um formato que não chega ao público das salas tradicionais. Agora vamos exibir longas com o objetivo de aprofundar o gosto desses espectadores explica Rodrigo Souza Grota, presidente da Kinoarte.
A linha é a mesma: nada de produções comerciais. O Kinoclube funcionará como uma espécie de cine clube itinerante levando à tela clássicos raros indisponíveis no Brasil, além de títulos contemporâneos inéditos no País ou só exibidos em festivais. Faces, o longa escolhido para abrir o projeto, é um psicodrama que aborda as mazelas do casamento no contexto da classe média norte-americana dos anos 60.
Rodado em 16mm e em preto-e-branco, foi produzido entre amigos e sem apoio dos grandes estúdios de Hollywood. O elenco contou com John Marley, Gena Rowlands, Lynn Carlin, Seymour Cassel e Fred Draper. O filme sublinha Grota tornou-se um clássico da cinematografia moderna por vários motivos. As improvisações, uma constante no trabalho de Cassavetes, imprimem uma autenticidade ao filme raramente vista antes no cinema. A fotografia de Al Ruban granulada e composta unicamente com câmera na mão, repleta de takes com luz estourada (iluminação excessiva, quando comparada à fotografia dos estúdios), trechos fora de foco , se encaixa perfeitamente na estrutura do filme, compondo uma grande obra em aberto, quase um rascunho, algo raro no cinema até então.
A atuação dos atores também é destacada pelo curador. Cassavetes acreditava nos atores como a grande força de um filme diz. Para ele, a fotografia, a montagem e a direção de arte eram aspectos secundários, que deveriam estar sempre subordinados ao trabalho do ator. Tentando descobrir a verdade de cada cena, o diretor chegava a improvisar 13, 14 vezes uma tomada para conseguir expressar uma emoção genuína, que não fosse mecânica. O diretor trabalhava contra a representação. Ele queria a vida, e Faces é o mais radical exemplo dessa busca. A sessão começa às 21 horas, com entrada franca.
SERVIÇO:
- Hoje: Sessão de cinema Kinoclube com a exibição do longa Faces, de John Cassavetes. Horário: 21 horas. Local: Bar Valentino (Av. Bandeirantes, 61), em Londrina. Entrada franca.


