Cinco décadas de música
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segunda-feira, 09 de setembro de 2002
Nelson Sato<br> Reportagem Local 
Uma missa na Capela da Catedral Metropolitana abre, hoje, as celebrações dos 50 anos do Conservatório Musical de Londrina. A festa prossegue na quinta-feira com um recital reunindo alunos e ex-alunos da escola no Teatro Crystal Palace.
O aniversário merecia um gigantesco bolo a ser fatiado por toda a comunidade, afinal foi no Conservatório que se gestou o embrião do que viria a ser o já consagrado Festival de Música da cidade. A comemoração inclui a graduação de duas pianistas do curso tradicional, algo quase impensável nos tempos atuais de pouco interesse na formação musical a longo prazo. Cursos de piano, convém lembrar, chegam a durar de oito a 12 anos.
Durante a missa de Ação de Graças, que começa às 20h30, serão executadas músicas sacras e instrumentais com participação de alunos e professores da instituição. Para a apresentação de quinta-feira, também com início às 20h30, está prevista uma exposição de fotos antigas que permanecerá no local até sábado.
O concerto, por sua vez, promete ''contar a história'' do Conservatório através da música. ''Será um grande reencontro de instrumentistas. Pessoas que não tocavam há mais de 30 anos, estarão no palco'' anuncia Sílvia Lemos Baptista, diretora da escola. O repertório, segundo ela, será pontuado por apresentações que remetem às cinco últimas décadas até chegar aos anos 2000.
Todos os períodos de transição vividos pela escola serão lembrados, alguns com participação de ex-alunos. A lista de músicos convidados reúne Katia Ajimura, Maria Luiza Sambatti, Anna Veras, Andrea Mello, Hylea Ferraz, Lucinda Bento, Maria de Lourdes Calado, Marinha Magalhães, Marlene Lopes, Sonia Lepri, João Navarro, Heidi Musetti, Luci Pigozzo, Osmani Jr., Elizabeth Bernardi, Sylvia Piffer, Gilson Corsaletti, Daniel Martini, Barbara Stegman, Raquel Gorla, Natalia Lepri, Antonella Franco, Felipe Andrade, Sonia Tait, e Julio Correa.
Sílvia Lemos assumiu a direção do Conservatório em 1976, após a morte de sua mãe Ruth. De lá para cá, teve que adaptar o ensino de música aos ventos da modernidade. ''Antes as meninas queriam se formar e ser concertistas de piano. Na virada da década de 80 para os 90, as coisas começaram a mudar. Os alunos perderam interesse pela formação e pelo diploma e passaram a se matricular em cursos livres para satisfação pessoal, para tocar na igreja ou na roda de amigos'' conta.
Pioneiro na região, o Conservatório enfrentou a concorrência com a abertura de outras escolas e de músicos que passsaram a dar aulas particulares. Para manter-se em atividades, procurou renovar seu sistema de ensino criando a área de musicalização de bebês, o departamento de saxofones, um grupo de Jazz e MPB, o método Suzuki para violino e o método do Centro Livre de Aprendizagem Musical (CLAM), de Amilton Godoy e o Zimbo Trio.
Para atrair mais alunos, realizou ainda o concurso ''100 Bolsa de Estudos'', numa tentativa de incluir pessoas que de outra forma não teria acesso à aprendizagem musical. Atualmente, 13 professores atuam na escola ensinando técnica vocal, piano popular e erudito, saxofone, flauta doce e transversal, guitarra, violão, contrabaixo e bateria.
A novidade anunciada para o próximo mês é a reabertura do curso de acordeon, que funcionou até 1985. ''Agora, com essa onda de forró universitário, muita gente está querendo aprender a tocar o instrumento'' explica a diretora do Conservatório. A cereja do bolo do cinquentenário, porém, é a formatura das pianistas Kátia Ajimura e Antonella Franco. Com elas, fica mantida a tradição.


