Cinco anos sem Poty Lazzaroto
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quarta-feira, 07 de maio de 2003
Beth Néspoli<br> Agência Estado 
São Paulo - Gravurista, ilustrador e muralista, o curitibano Poty Lazzaroto (1924-1998) nasceu no dia do aniversário de sua cidade natal - Curitiba. Hoje, a capital paranaense rememora os cinco anos de morte de seu artista dileto. Napoleon Potyguara Lazzaroto está para Curitiba como Gaudí para Barcelona. Seus vitrais e murais - em azulejos coloridos ou concreto - podem ser vistos em vários pontos da cidade e contribuem enormemente para a sua decantada beleza.
Se Poty tratou bem a cidade na qual nasceu - retratando sua gente, suas belezas naturais e sua arquitetura em seus murais -, a recíproca também é verdadeira. No seu caso, não vale a máxima de que santo de casa não faz milagre. Além da cuidadosa manutenção de suas obras, outras continuam sendo criadas mesmo depois de sua morte.
Inauguração - Em março deste ano, no aniversário de 310 anos da cidade, foi inaugurado mais um mural do artista, no Mercado Municipal. Em azulejos coloridos, o painel de 33 metros quadrados retrata um comerciante oriental em sua banca de hortigranjeiros. A obra foi feita a partir de um desenho inédito do artista, pertencente a um colecionador que preferiu não ser identificado. O painel foi confeccionado pelos artistas plásticos Elvo Benito Damo e Maria Helena Saparolli.
E a fase final de sua obra como gravurista - as cores explodiram nas últimas amplo espaço cultural com situado num casarão da Praça Garibaldi, em Curitiba -, acaba de lançar o livro ''Poty - O Lirismo dos Anos 90'' (R$ 40,00, 55 págs.). Uma belíssima edição, com reproduções em papel cartão e excelente definição de serigrafias e gravuras coloridas, criadas pelo artista nos últimos anos de sua vida.
Filho de italianos, Poty desenhava compulsivamente desde os 5 anos. Seu pai era ferroviário e sua mãe mantinha um restaurante, o Vagão do Armistício, frequentado por intelectuais paranaenses. Aos 18 anos, através de um dos clientes do restaurante, o interventor do Manoel Ribas, Poty conseguiu uma bolsa de estudos para o Liceu de Artes e Ofícios, no Rio de Janeiro, onde estudou com o mestre gravurista Carlos Oswald. Em 1946, ganhou nova bolsa para estudar na Escola Superior de Belas Artes, em Paris.
Voltou ao Brasil em 1948 para dedicar-se integralmente ao seu ofício. Ilustrou livros de Guimarães Rosa, Graciliano Ramos, Euclides da Cunha e Gilberto Freyre, entre outros. Como muralista, tem obras no Paraná, Rio de Janeiro. Minas Gerais e São Paulo - desde monumentos públicos, como os painéis Índios e Construtores do Progresso, no Memorial da América Latina, até em locais privados, como o painel com motivos incaicos na Fábrica da Bosch, em Campinas. E ainda em Paris e Portugal.
Mas a grande privilegiada é mesmo a cidade de Curitiba. É dele o mural Paraná, em lajota cerâmica, de 12 m de largura por 1,5 m de altura, que recebe o visitante no aeroporto Afonso Pena. Ele assina a belíssima fachada do mais importante teatro da cidade, o Guaíra, tomada por um mural de concreto aparente, de 27,6 m de largura por 4 m de altura. Sem contar os inúmeros painéis de azulejos coloridos que enchem os olhos do visitante. Entre eles, o painel Curitiba e Sua Gente que encanta quem passa pela Travessa Nestor Castro.
Cores - Quem jamais foi a Curitiba, pode agora conhecer um pouco do universo colorido desse artista através do livro ''Poty - O Lirismo dos Anos 90''. São 14 serigrafias divididas em duas partes: Os Santos e A Magia de Curitiba, acompanhadas de pequenos textos explicativos. Ao fim do volume, os mesmos textos estão reproduzidos em inglês, assim como uma pequena biografia do artista.
Chama a atenção a síntese no traço de São Bernardo ou a tensão que salta da serigrafia Gandhi, na qual Poty cria praticamente uma cena dramática para retratar o pacifista indiano Mahatma Gandhi (1869-1948). Na série A Magia de Curitiba está ainda o Bosque João Paulo II, criado após a visita do papa a Curitiba. Nessa gravura, Poty retrata o carroceiro, personagem constante em seus retratos da cidade, assim como a casa feita de troncos, típica da arquitetura polonesa e, também, os pinhais comuns na paisagem paranaense.
Araucárias, uma bandinha de música, religiosos ortodoxos, um trem, um carroça, o pintor de paredes, a casa feita de troncos - tudo isso se mistura numa única serigrafia, Carrossel Curitibano, também reproduzida no livro.
Até o momento, o volume só está à venda no Solar do Rosário, que fica na Rua Duque de Caxias, 4, no centro histórico de Curitiba. Os interessados podem fazer contato através do telefone (41) 225-6232 ou pelo site www.solardorosario.com.br.


