Cidades lembram os cenários de novelas
Lençóis, BA - Casas coloridas em primeiro plano, morros em segundo, sob quase todos os ângulos. Essa é a paisagem predominante nas cidades da Chapada Diamantina, como Mucugê, Palmeiras e Andaraí. Parecem as cidades cenográficas do Projac, da ''TV Globo''. Aliás, grande parte da novela ''Pedra Sobre Pedra'' foi gravada em Lençóis, a capital regional da Chapada.
As casas são pintadas com cores fortes e, geralmente, ficam coladinhas umas às outras. São estreitas na fachada e compridas. ''Os vizinhos costumavam usar a mesma parede'', diz o aposentado Edivaldo Miranda de Oliveira, de 66 anos. ''Hoje não, é mais moderno.'' Segundo ele, a mudança ocorreu para evitar brigas entre vizinhos.
Em toda cidade, ainda há um ou outro lapidador de diamante. Alfredo Sérgio de Souza Alcântara, que vive de fabricar diamantes há 28 anos, abre as portas da oficina, em Lençóis, para quem quiser conhecer seu trabalho. ''Ainda estou aprendendo. Conservo o prazer de ver uma pedra sem brilho transformada.'' No formato clássico, que todo mundo conhece, um diamante tem 57 facetas.
Segundo ele, poucos garimpeiros persistem no trabalho atualmente. ''Alguns ainda sonham, mas fazem bicos para sobreviver.''
As manifestações culturais são um espetáculo à parte na região. No Vale do Capão, no município de Palmeiras, 30 mulheres, moças e meninas, vestidas com camisas floridas, saiões e lenços na cabeça, dançam e cantam músicas regionais de viés religioso. O grupo, chamado Terno das Ciganas, costuma se apresentar em feriados, mas também faz apresentações esporádicas a pedido dos turistas. Eles não cobram nada. ''Mas gostaria que dessem alguma ajuda. Nossos instrumentos estão velhos e muitos são emprestados'', diz a aposentada Nadir Dreger da Silva, de 66 anos, a mais velha do grupo.
Encravada no meio da Chapada Diamantina e toda de pedra, a vila Igatu é a própria Machu Picchu baiana. Nas épocas áureas do garimpo, no século 19, chegou a ter dez mil moradores. Hoje, conta com várias ruínas e apenas 380 habitantes. Quando o ciclo do diamante acabou, na década de 30, todo mundo deixou as casas e foi embora. Há quem chame Igatu de cidade-fantasma. (L.D./AE)





