Cidades exigem mais qualidade de vida
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sábado, 05 de abril de 1997
Agência Estado 
Arquivo FolhaHabitação e vidaNova York, tendo em primeiro plano a ponte do Brooklyn: próximo milênio tende a dar mais importância ao ser humano Uma das maiores preocupações das autoridades com relação ao próximo século é com a habitação - tema de muitos encontros internacionais realizados nos últimos anos. Um dos maiores desafios será o da incorporação da qualidade ao processo de desenvolvimento urbano. É disso que o escritor Arthur Clark fala em seu livro Um Dia na Vida do Século 21, no qual ele prevê que a humanidade voltará às cavernas, não para viver como os pré-históricos Flintstones, mas como os moderníssimos Jetsons. A diferença é que, em vez de viver nas alturas, como os Jetsons do desenho animado, o homem da classe média do próximo século vai viver debaixo da terra, com todo o conforto.
Clark previu em seu livro que a habitação subterrânea será uma tendência inclusive no centro das cidades. Ele só não esperava que o processo pudesse ser desencadeado mais cedo, pois já existe em Kansas, nos Estados Unidos, um complexo industrial de 15 quilômetros quadrados no subsolo, a 25 metros de profundidade. E em Iron Mountain, no Vale do Rio Hudson, uma velha mina abandonada foi transformada num conjunto de apartamentos de luxo. Mais de três mil casas subterrâneas já foram construídas nos Estados Unidos.
O grande responsável por isso é o arquiteto Thomas Bight, do Instituto de Tecnologia de Massachusets. Ele disse à revista Omni que morar debaixo da terra faz parte da consciência ecológica que dominará as próximas décadas.
Mas o professor Allan Jacobs, da Universidade da Califórnia, prevê outra tendência. Para ele, os grandes conjuntos habitacionais deverão prevalecer. Acredito que ainda veremos muitos desses grandes blocos com muito concreto, disse ele, numa de suas palestras mais recentes. Não que ele defenda essa tendência. Na verdade, ele é a favor da melhoria da qualidade de vida, tanto nos centros urbanos como no campo.
O escritor americano Marshall Berman - autor do livro Tudo que é sólido desmancha no ar - concorda com ele. Segundo Berman, o desenvolvimento urbano no próximo milênio tende a privilegiar mais o ser humano. É perfeitamente possível manter no desenvolvimento urbano o foco sobre o ser humano, disse ele à Agência Estado. Quando o desenvolvimento desconsidera o ser humano, as soluções surgem naturalmente. Um exemplo disso é o Muro de Berlim. Quando a população deixou de referendar os atos de um governo arbitrário, o muro caiu. Não pode haver mais espaço para privilegiar o sistema e não as pessoas.


