Membro da Academia Paranaense de Letras, ao longo de seus 67 anos de vida jornalista o escritor Nilson Monteiro morou em nove cidades diferentes até fixar residência em Curitiba. A paixão pelas palavras, pelos locais onde viveu e seus habitantes foram transformadas em crônicas que deram origem ao livro "As Cidades e Seus Cúmplices", editado pela Banquinho Publicações. A obra será lançada pelo autor em Londrina na próxima segunda-feira (24), às 19 horas, na Central de Decorados Plaenge.

Nilson Monteiro: em mais um livro de crônicas, autor mostra que a paixão é a marca de seus textos
Nilson Monteiro: em mais um livro de crônicas, autor mostra que a paixão é a marca de seus textos | Foto: Divulgação



As crônicas presentes no livro passeiam pelo carinho que o escritor tem desde a cidade onde nasceu, Presidente Bernardes (SP), a Cáceres (na Espanha), onde nasceram seus avós, a dezenas de outras, em seus 66 anos de vida. "Escolhi aquelas que mostravam a relação entre as cidades onde vivi e as suas pessoas. Afinal, como escrevi, as cidades são pessoas. As pessoas, suas emoções, seus conflitos, seus sentimentos, suas escolhas, suas paixões, enfim as pessoas configurando as cidades e dando-lhes corpo e alma", descreve Monteiro a respeito de seus textos.

Dentre todas as cidades citadas no livro, Londrina - onde o jornalista fez faculdade e trabalhou como repórter da FOLHA - ganha afagos especiais do escritor, como ressalta o professor e escritor Marco Cremasco na apresentação do livro. "Londrina destaca-se e a ela são dedicados diversos textos. Como no já mencionado Memorial, Nilson nos conta que chegou à cidade adolescente e se apaixonou perdidamente por aquela bela balzaquiana. Na rua Icós 173, quase esquina com a Duque de Caxias, viveu tempos difíceis, contudo inesquecíveis: o quintal de barro, o córrego e um bando de moleques jogando bola e fazendo história", cita sobre a adolescência de Monteiro.

Nilson revela sua adolescência em que vendia garrafas, testemunhava rusgas de malacos e contava vantagens. Nas noites londrinenses, o seu bando seguia pra zona "só sarro, espiar, pular o muro, mexer com as mulheres, prometer sacanagem". Cremasco comenta que ao longo da leitura é impossível ficar impassível diante do apelo de Monteiro: "Não mexam na Vila Casoni. Em suas artérias magriças, há ainda casas feitas de peroba..., pecados tatuados nas paredes, botecos sujinhos, armazéns defasados, igrejas descoradas e muros encardidos de terra".

Na avaliação de Cremasco, Nilson enrosca o leitor no rolo de um filme da memória para resgatar a importância do Cine Teatro Ouro Verde. "Ainda em sua Londrina, o escritor veste asas para alcançar o 11º andar do Edifício Bosque. De lá observa a cidade se esparramando em suas bordas, o bosque, sufocado, em síndrome de pânico. Vê a cidade e molha a alma nas águas poéticas do Igapó. Londrina, roxa e visguenta, está nas veias do cronista. Ah, Londrina, sua danada. Ainda que ame todas as cidades em que morou; ainda que resida em outra cidade, Nilson vive "a cada santo dia, em terras londrinenses, em qualquer lugar do mundo onde esteja", ressalta.

"As Cidades e Seus Cúmplices" é o 13º livro escrito por Monteiro e o terceiro dedicado a crônicas. Na avaliação do autor, a paixão é marca principal de seus textos. "Uma paixão pela vida e suas manifestações e inclusive pelas letras, pelas palavras, pelo seu casamento ou corrosão. Em uma das crônicas, declaro, como sempre fiz, que jornalismo se escreve com seis letras - Paixão. Assim também vejo meu texto, dito por alguns, literário", conclui.

Imagem ilustrativa da imagem Cidades de corpo e alma
| Foto: Reprodução



Serviço:
Lançamento do livro 'As Cidades e Seus Cúmplices', de Nilson Monteiro, (ed.Banquinho Publicações)
Ilustrações: Jannayana Reghini Programação de arte: Celso Arimateia
Quando - Segunda-feira (24), às 19 horas
Onde - Central de Decorados Plaenge (Av. Madre Leonia Milito, 1.700)
Gratuito

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