Cidade guarda partituras dos séculos 18 e 19
O acervo musical de Mariana também é alvo de avaliação na Unesco. A cidade abriga manuscritos e cerca de duas mil partituras de música colonial dos séculos 18 e 19, um conjunto que não possui similar no País. Como parte da coleção instrumental, destaca-se um raríssimo exemplar do órgão Arp Schnitger, construído em 1701 e único em funcionamento fora da Europa. O órgão e os documentos fazem parte do acervo do museu da Música, cujo espaço físico foi inaugurado em julho.
O diretor-executivo da Fundação Cultural e Educacional da Arquidiocese de Mariana (Fundarq) e vice-prefeito da cidade, Roque Camêllo, observa que o trabalho dos pesquisadores já pode ser considerado uma referência na musicologia brasileira e internacional. Em 2003, o acervo documental foi encaminhado para avaliação da Unesco e consequente inscrição no Programa Memória do Mundo como bem imaterial. ''Isso deverá ficar decidido no próximo ano'', disse Camêllo. ''O Brasil junto a Unesco só tem um bem (imaterial), que é o registro fotográfico de D. Pedro II, quando ele visitou Jerusalém e o Egito''.
Guardadas em arquivos climatizados estão partituras originais raras de autores brasileiros como José Joaquim Emerico Lobo de Mesquita (1746-1805) e João de Deus de Castro Lobo (1794-1832).
Todo acervo passou por um processo de restauração iniciado em 2001 e está sendo digitalizado. Com base nos documentos, um projeto premiado resultou na publicação de nove livros de partituras e a gravação de nove CDs. (Agência Estado)





