CIDADE DO SOL - Natal, para sempre na memória
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 04 de setembro de 2007
Giovana Kindlein<br> Editora 
Não há melhor paisagem do que aquela que fica gravada na memória da gente. A citação não é minha, mas poderia ser. Quem diz isto com simplicidade e, ao mesmo tempo com sabedoria ímpar, é a guia de turismo em Natal, a potiguar Luzete Lima, da Luck Nataltur Receptivo, ao apresentar as belezas naturais e turísticas da cidade, na outra ponta do Brasil, a mais de 4.000 km de distância do Paraná. É impossível não registrar na memória uma sequência de imagens como a de um bom filme. Na capital do Rio Grande do Norte todas as paisagens são bonitas.
A visão das águas azuis-esverdeadas da orla de Ponta Negra, as grandes dunas de areia dourada de Genipabu, no Litoral Norte; a costa entrecortada por baías e seus arrecifes, as falésias das praias do Litoral Sul como Pirangi e Pipa, o mirante dos golfinhos na Barra de Tabatinga, e para completar, no centro, o Forte dos Três Reis Magos, de 1598, em uma das pontas da Praia dos Artistas. Junte a tudo isso, a temperatura de 32 graus centígrados da alta temporada de verão e a brisa suave dos ventos alísios que sopram constantemente no Rio Grande do Norte, aliviando a sensação desconfortável de calor.
É a combinação perfeita para uma viagem nesta época do ano quando os ponteiros dos termômetros por aqui insistem em se manter frios, abaixo dos 20 graus centígrados. Parece que entramos num túnel e mudamos de mundo e dimensão: do inverno para o verão em poucas horas. O destino é Natal, cidade onde o sol brilha 300 dias por ano, com praias paradisíacas e um pôr-do-sol inesquecível em qualquer ponto da cidade, tanto à beira do Rio Potengi ou do alto amedrontador de uma falésia avermelhada.
Ao contrário do Sul do País, o dia começa a clarear por volta das 4h30 e o pôr-do-sol acontece às 17 horas na Cidade do Sol, que tem hoje aproximadamente 800 mil habitantes. Como o índice de luminosidade é muito intenso, é bom não esquecer de levar os óculos de sol. Valeu a dica aos londrinenses, Lu. Portanto, é preciso aproveitar o dia e acordar cedo para passear.
Passeios - Imperdível é o passeio de buggy pelas praias do Litoral Norte até as dunas e lagoas de Genipabu - em Natal há duas grafias (Genipabu e Jenipabu). Os aventureiros vão se deliciar com a diversão. Mas até mesmo pessoas sossegadas ou na terceira idade vão apreciar o passeio que custa atualmente R$ 230,00 para quatro pessoas, ou seja, R$ 57,50 por pessoa. Na próxima temporada de verão, o preço deve subir para R$ 280,00. No percurso de 75 km, que dura aproximadamente 8 horas, o turista verá, entre outros monumentos e belezas naturais, a moderna arquitetura da ponte Newton Navarro sobre o Rio Potengi, conhecida como Ponte Forte-Redinha, em fase final de construção, que ligará os bairros de Santos Reis, onde se encontra o Forte dos Reis Magos e a praia de Redinha, a lagoa de águas mornas de Pitangui.
Antes de atravessar de balsa, o turista passa por uma antiga base aérea construída pelos americanos durante a Segunda Guerra Mundial. O litoral do Rio Grande do Norte tem a maior projeção de terra para o Atlântico, fazendo um ângulo agudo, a chamada ''Esquina do Brasil''.
A Secretaria Estadual de Turismo (Setur) mantém bugueiros credenciados que buscam o turista no hotel em que está hospedado. Quando ele vem pegá-lo, uma pergunta é inevitável: ''Você quer o passeio com ou sem emoção?'' À interrogação que já virou bordão oficial dos bugueiros, o visitante pode responder e optar entre fazer um passeio calmo e tranquilo pelas dunas sem manobras radicais ou enfrentar as peripécias de uma aventura imprevisível. Acidentes já foram registrados.
Mas Genipabu oferece mais, além das dunas e da água do mar verde e cristalina. Tem passeio de dromedário, ''aerobunda'', ''esquibunda'' e paradas em locais com coqueiros e piscinas naturais de água morna. ''Eu gosto de conforto, mas o passeio de buggy é uma aventura e o bar da lagoa é um local muito interessante para ser visitado'', sugere a londrinense Ana Fabrícia Sapia, sócia-proprietária da Alunar Agência de Viagens. ''Eu recomendo''.
A parada de aproximadamente uma hora que os bugueiros fazem no Bar da Lagoa de Pitangui, a que Ana se refere, é sensacional. O lugar tem mesinhas dentro d'água, e serve, além de cerveja e bebidas especiais como a Ula-Ula (caipira dentro do abacaxi) por R$ 5,50, espeto de camarão por R$ 4,50, pastel de camarão a R$ 3,00, e petiscos da culinária nordestina como casquinho de caranguejo a R$ 4,50 e uma porção de patola de caranguejo com molho tártaro a R$ 22,00.
A companheira quase inseparável de Ana, a quem ela chama de ''minha mãe japonesa'', a londrinense Élia Yamaue, sócia-proprietária da agência Takashitur, gostou mais da travessia de balsa sem motor, pelo Rio Ceará-Mirim, na localidade de Barra do Rio, no município de Extremoz, a caminho das dunas de Genipabu. ''A embarcação comporta um único veículo e, a brisa faz com que você não sinta calor. É sempre aquele vento gostoso'', diz com experiência de quem já conheceu os melhores e tradicionais destinos turísticos do planeta.
Bichos do Paraná - Depois de completar o passeio às dunas, o restaurante Naf Naf, na paradísiaca praia de Jacumã, oferece pratos regionais da comida nordestina que inclui frutos do mar, peixes e carne de sol. Mas o turista também encontra churrasco.
Dois bichos do Paraná, como eles próprios se intitulam, se especializaram na gastronomia. O casal Jessé Wesley Costa Lima, de Curitiba, e Tanize Lima, de Umuarama, são proprietários há 14 anos do Restaurante Naf Naf. ''Viemos para cá em busca de qualidade de vida e para montar uma pousada'', conta Tanize.
Antes de construí-la resolveram montar o restaurante porque não havia nenhum na vila de Jacumã, na época com apenas 300 habitantes. Hoje, este número pulou para 500 moradores. ''É só uma questão de tempo'', diz Jessé demonstrando determinação para realizar o seu sonho. Antes disso, o casal deve inaugurar até o verão um bistrô.


