Cidade deve ser conhecida a pé
Circular por Santiago é fácil. A cidade fica às margens do Rio Mapocho, que nasce nos Andes e corta a área urbana de leste a oeste. Seguindo o curso do rio há uma linha de metrô, uma ótima opção de transporte, limpo, bem cuidado e barato (cerca de US$ 0,50). O táxi também não é caro e as principais ruas do centro, transformadas em calçadões, convidam a um passeio a pé.
Santiago segue um pouco a geografia de seu país. Também é estreita, difícil de se perder. E se isso acontecer, é fácil: é só perguntar pela Alameda, o nome da avenida que corta a cidade inteira, na mesma direção do Rio Mapocho.
A Alameda, na verdade, tem vários nomes: começa como Avenida Bernardo OHiggins, no Centro, e segue como Avenida Providencia em uma região que vale ser visitada com calma. Com diversos restaurantes, bares, cafés e cinemas, termina em uma área residencial representativa de como vive bem o santiaguino da classe média alta. Belas casas com jardins grandes em ruas arborizadas e calmas de calçadas largas.
Continuando pela mesma avenida, que passa a se chamar Avenida Apoquindo, chega-se ao centro empresarial. Equivalente ao que deve virar a paulistana Engenheiro Luís Carlos Berrini daqui a alguns anos, tem prédios enormes e espelhados, sede de multinacionais. Muitos de gosto arquitetônico duvidoso, acabam criando um skyline bonito que dá ares de modernidade à cidade.
Nos hotéis, os concierges e recepcionistas que forem dar conselhos para os visitantes provavelmente vão dizer que o centro não tem nada para ver. Mas, para quem está de férias, querendo conhecer um pouco do país, é um dos melhores programas. É onde se pode andar e ter contato com a população, visitar a Plaza de Armas, o Palácio da Moeda (residência oficial do presidente e sede do atentado a Salvador Allende, em 1973) e a catedral. E, por mais que os agentes de viagem digam o contrário, é também o melhor lugar para compras.
Um tour pela cidade não pode deixar de passar pelos dois grandes cerros (morros) que ficam perto do centro e têm uma vista panorâmica da cidade. São parques onde os moradores passam as tardes. Vá até lá na hora do almoço. Será a oportunidade de conferir outro hábito europeu dos santiaguinos: frequentar praças e parques para descansar, namorar ou sentar num banco e ler um livro. Ao lado do centro fica o Cerro Santa Lucia, no bairro de Bellavista, e o Cerro San Cristóbal, que abriga o zoológico e, por isso, é frequentado por crianças.
O Rio Mapocho é margeado por avenidas, sempre cheias de carros, ônibus amarelos e táxis pretos (todos padronizados). Mas nada a ver com a Marginal do Pinheiros. Entre o rio e a avenida há calçadas, feitas para pedestres andarem e não morrerem de medo de ser atropelados. Nesse passeio, uma surpresa boa é dar de cara com a Museu de Belas Artes. De longe, vai parecer o Museu do Prado, de Madri. Pela calçada larga, cheia de árvores e bancos de praça, em uma grande avenida. Mas, olhando de perto, dá para perceber que o prédio é uma réplica do parisiense Petit Palais. Ou seja, férias na Europa a preço de Mercosul.ReproduçãoBelo parqueO Cerro Santa Lucia foi transformado em parque público em 1873. Fica no bairro de Bellavista, perto do centroAgência Estado





