Cidade deve se adaptar para receber especiais
Itacaré - Além de começar a ver jovens circulando em cadeiras de rodas pelas ruas de areia de Itacaré, numa área onde ficam as pousadinhas mais legais da cidade, você talvez possa notar em breve que algumas delas já terão feito adaptações sutis para esse público.
A primeira a entrar na onda da acessibilidade é a Pedra Torta. Um de seus quartos acabou de ser reformado. Ganhou uma porta mais larga, interruptores baixinhos, vaso sanitário da altura da cadeira de rodas e outros detalhes. A obra custou cerca de R$ 4 mil. Iniciativas como essa é que a operadora FreeWay vem estimulando em reuniões com empresários da cidade para que os futuros ecoturistas especiais possam desfrutar de mais conforto.
''Eu nem imaginava que o pessoal que usa cadeira de rodas pudesse fazer uma coisa tão difícil quanto rafting. Mas às vezes, para eles, entrar num banheiro normal pode ser mais difícil do que isso. A gente não podia deixar de fazer essas adaptações no quarto'', diz o moçambicano Paulo Sérgio de Sousa Lima, de 33 anos, que, ao lado de Maria Aparecida Damacena Aguilar, de 32 anos, é o proprietário da pousada há quase um ano e meio.
Itacaré foi descoberta como pólo turístico há pouco mais de cinco anos. Tem praias belíssimas, com areia branca, coqueiros e águas claras. Muitas quase desertas principalmente, é claro, fora dos feriados e férias de verão. Fora da faixa litorânea, as belezas também encantam.
Trilhas por trechos de mata atlântica, cachoeiras para a prática de canyoning e o caudaloso Rio de Contas, que em alguns trechos como no distrito de Taboquinhas, onde se faz o rafting se alarga em mais de 50 metros de margem a margem. Maraú tem tudo isso, com a vantagem de ser muito mais tranquila do que a já badalada Itacaré.
Pelo menos por enquanto, são poucos, muito poucos, os turistas em cadeira de rodas que vão à cidade. Não é de se estranhar. No Brasil, ainda há uma grande carência de projetos de hotéis e de pousadas com acessos para portadores de deficiências. ''Há muitos jovens que andam de cadeira de rodas. Mas são poucos os que encaram o ecoturismo. Eles até têm vontade, mas as dificuldades às vezes são muito grandes'', lembra Adriana Braun.
Adriana fala com experiência. Apaixonada por ecoturismo, já visitou Fernando de Noronha, Lençóis Maranhenses, Serra do Cipó, Chapada Diamantina. No ano passado, participou da Expedição Brasil Adentro, que, em dois meses e meio, percorreu o País de Norte a Sul.
Viagens que, segundo Adriana, poderiam ser feitas por mais cadeirantes se a infra-estrutura local contasse com acessos mais fáceis e, principalmente, com gente treinada para lidar com esse público. Estimativas apontam que no País, cerca de 20 milhões de pessoas têm alguma deficiência muitas delas só se locomovem em cadeira de rodas. (M.M.S.)





