Cidadão Quem lança 'Soma'
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quinta-feira, 10 de agosto de 2000
De Curitiba 
Os roqueiros que ainda não conhecem a banda gaúcha Cidadão Quem preparem-se: ela acaba de gravar o CD Soma, pela Warner, e aposta as fichas nessa produção. Com uma carreira solidificada no Rio Grande do Sul, comemora dez anos de estrada colocando no disco canções de épocas diversas que contam sua história. O título, como se vê, não é aleatório.
Este é o quarto lançamento do grupo que gravou seu primeiro CD, Outras Caras, pela RFE/RBS em 1993, Lente Azul, pela Polygram em 1996 e Espermatozoom, pela Zoom Records em 1998. Desses, aquele que mais teria chance de catapultar os gaúchos para o sucesso nacional foi Lente Azul. Houve, porém, um erro fatal. Lente Azul chegou às lojas num tempo que Luciano Leindecker, baixista e backing do Cidadão Quem considera um dos piores momentos para se lançar rock no Brasil. Foi no auge da onda que ele chama de axé-bunda, com as mulheres requebrando alucinadas, movidas pelo som pasteurizado.
Um dos dramas nas artes brasileiras especialmente a da música é a imposição da monocultura. Esta prática é altamente prejudicial, segundo comenta o artista. Quando as gravadoras adotam um modismo, este acaba por asfixiar tudo que existe à sua volta. Quando é bunda music só dá isso, ou só sertaneja, ou só pagode, reclama.
Luciano explica que os membros do Cidadão Quem além dele tem Duca Leindecker, nas guitarras, bandolim, teclados e vocais e Paula Nozzari, na bateria e backing não querem virar moda pela moda. Eles esperam ir ao encontro do público que se identifica com a gente, ou seja, os que trazem o rock no sangue. Pop é uma condição, não um estilo, avisa Luciano.
Para ele a música não é um empreendimento em vão. Ela tem a função de celebrar e questionar. O fato de acreditar uma coisa, leva a questionar outra. Temos que discutir cidadania, prioridades, aquilo que precisa ser feito. Algumas bandas estão fazendo isso, como o Rappa, e espero que o público entenda.
O Cidadão Quem está na mesma trilha. As letras de Duca trazem problemas com aspecto pessoal, mas que afetam a todos, assegura Luciano. Ele acredita na juventude, e lamenta a falta de disposição da mídia em levantar temas para os jovens refletirem e discutirem sobre eles. Na certeza do trabalho que a banda está realizando, o baixista afirma: Estamos na contramão do País, espero que ele tome a nossa direção.


